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Desperdício alimentar e a carne de vaca

E no fim poderá ganhar (sempre) a Europa!

Desperdício alimentar e a carne de vaca

Ideias

2019-10-16 às 06h00

Pedro Machado Pedro Machado

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Alimentação, instituído pela FAO (Food and Agriculture of the United Nations), em 1979.
O primordial objetivo deste dia é consciencializar a opinião pública, a nível mundial, sobre a adoção de hábitos de alimentação saudáveis, mas também, alertar para todos os problemas que envolvem a questão da alimentação.O tema deste ano passa pela promoção de uma alimentação saudável e sustentável disponível e acessível para todos.
Ora, este tema tem muito que se lhe diga, pois a alimentação sustentável, poderá passar pelo tipo de produção, pela forma de consumo, mas também, pelo combate ao desperdício alimentar.

O reitor da Universidade de Coimbra anunciou recentemente que, a partir de janeiro de 2020, a carne de vaca será eliminada das cantinas da instituição. Efetivamente a produção de carne de vaca é uma fonte de grandes emissões de CO2, no entanto, este anúncio parece-me mais uma ação de marketing do que propriamente de verdadeira ação ambiental. Tem que haver um equilíbrio, sem fundamentalismos. Questiono: quais são as alternativas e se serão mais sustentáveis? Seria necessário eliminar ou poderia começar por diminuir o consumo? E quanto ao desperdício alimentar, que medidas estão implantadas?

Estima-se que em Portugal, anualmente, se desperdice 1 milhão de toneladas de alimentos por ano, 17% da comida é deitada fora ainda antes de chegar aos consumidores.
Na área da Braval, o estudo de caraterização de resíduos urbanos indiferenciados de 2018, 26% dos resíduos indiferenciados, são restos de comida.
Urge tomar medidas que invertam esta tendência, pois este desperdício não tem impacto só ao nível ético e social, mas também, económico: os alimentos para serem produzidos consomem imensos recursos que também são desperdiçados; e ambiental: os alimentos ao serem deitados fora são resíduos e, como tal, têm de ser tratados, com todos os gastos e consequências que esse tratamento acarreta.
Como se sabe, atualmente, assiste-se à teoria do poluidor-pagador.

Assim, mais do que não consumir carne de vaca, deveremos estar mais preocupados em consumir de forma sustentável todos os alimentos.
Preocuparmo-nos com a Politica dos R´s:: Reduzir, Reutilizar e Reciclar, evitando o desperdício alimentar e promovendo a correta separação dos resíduos, para valorização.
Essencialmente, temos de tomar consciência de que o consumo e ambiente estão interligados, para além da prevenção, evitar que algo se torne “lixo”, temos de separar as embalagens, os óleos alimentares usados, valorizar ao máximo os resíduos urbanos, na sua transversalidade. Só vai mesmo para o “lixo” aquilo que não pode ser reciclado ou valorizado.
Como alternativa à economia do desperdício é necessário, se pretendemos um futuro sustentável, um novo paradigma, a economia da preservação.
Ajude-nos, ajudando-se!

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