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Desprender

O primeiro Homem era português

Desprender

Escreve quem sabe

2022-05-08 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Separar é, de certa forma, o ato de desprender. Ao longo da nossa vida, quer se queira ou não, desprendemo-nos de pessoas, lugares, de objetos, mas não das memórias que causam em nós. É muito, mais simples desprender de objetos do que lugares ou pessoas. Talvez a razão se prenda pelo facto de, envolver sentimentos numa espécie de “troca e compromisso” emocional que se dá e que se recebe nas mais variadas situações da nossa vida. Vejamos, por exemplo, o desprender do vínculo profissional de um emprego que não acrescenta e só causa desgaste mental e físico. Há pessoas que adoecem em trabalhos, porque não conseguem tomar a atitude de concluir um ciclo, que já não acrescenta. É preciso desprender de relacionamentos, quer amoroso quer de amizade, onde não há reciprocidade de valores emocionais. Nenhuma pessoa pode ser equiparada, por analogia, a um bibelô que está a adornar uma estante e que só se vai buscar em situações pontuais e quando é a última das escolhas. Uma pessoa não pode ser tratada como um objeto. Não obstante, e num outro contexto de reflexão, o desprender de vínculos familiares pelas memórias quer boas, quer más na infância. É mais difícil para aquele/a que tem um vínculo emocional com os familiares, muito forte e coeso, uma mudança de cidade que implica a separação não emocional mas física geograficamente e que causa dor emocional comparativamente com outras pessoas em que a infância se pautou pela negligência afetiva e que na idade adulta optou por não manter esses mesmos laços desprendendo-se assim dessas pessoas significativas (ex. pais, avós etc.) Desprender, é um término definitivo ou temporário que frequentemente é acompanhado de grande tensão emocional, nomeadamente quando não é desejada tal situação, ou por medo do futuro de ainda ser pior do que o presente. Mas na vida, não há só perdas, há também ganhos. E há de facto perdas que embora nem sempre se vislumbre “uma luz ao fundo do túnel” que que vem para fazer ganhar forças ou preparar para algo muito mais importante e impactante na vida. A separação de algo, causa tristeza, mas também é sinónimo de superação. O desprender passa por diferentes etapas até se fechar o ciclo. Haverão momentos de incerteza, de desânimo, de falta de alento, de desordem como se estivesse numa espécie de labirinto escuro, onde não se consegue ver a saída.
Das batalhas da vida, há uma lição muito importante. O perceber que "se é mais forte do que o se pensa". Numa primeira etapa, permita-se viver o luto da situação e tenha o seu próprio tempo. Há quem supere mais rápido e há quem demore mais. Demora mais tempo, quanto mais a situação for importante do ponto de vista emocional. Cada pessoa reage de forma diferente face ao stress ou á tristeza. Ao contrário do que se possa pensar nem sempre e somente o ato de chorar significa que se “está mal”. A apatia (ex: estar por estar em determinado sitio, mas é como se não estivesse.), o silêncio por longos períodos de tempo, o desejo de ficar sozinho/a, e até mesmo o ato de disfarçar as emoções pelo sorriso também significa tristeza. Interpreta -se erradamente aquele/a que está sempre a rir, mas o rir pode ser uma "fuga" daquilo que esconde o coração. Cada pessoa, sente, reage e expressa de forma diferente o que está a sentir. Cerque-se das "suas pessoas", que lhe querem bem. Lembre-se para as pessoas perceberem que “está menos bem” também terá de mostrar, abrindo o seu coração para que possa ser ajudado/a. Outro aspeto, não menos importante é o de perceber que quando está triste, existe uma tendência para se escutar as músicas ou até ir e/ou procurar locais que lhe vão ativar memórias menos boas. Faça o inverso, até as "memórias não lhe fazerem mal" evite e só quando estiver preparado/a volte ou regresse. Tal como diz o ditado popular, "depois da tempestade há sempre a bonança". Foque nas suas lutas e as suas memórias pessoais mais felizes.
Tudo passa...acredite!

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