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Deus, Pátria & Família

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Deus, Pátria & Família

Ideias

2024-04-14 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Há vozes em favor do retorno ao serviço militar obrigatório, e eu soa-me que a «pátria» possa não andar longe. Ele há quem abençoe um logótipo, crismando-o de laico, plural e inclusivo, e eu suspeito designers e comissários governativos de aversão a «deus». E depois cai-nos no colo um livreco, mais a palestra de enterro de PPC – Pedro Passos Coelho – e ele é um ó-da-guarda de furiosos com ladainhas de retrocesso civilizacio- nal.
Resumindo, somando quem aplaude e quem apupa, restabelecemos uma tríade de valores vítima de maus-tratos às mãos de quem a defendeu e de quem a veio a denegrir. Encarniça-se quem de si tem muito que se lhe aponte, quanto mais não seja por vaidades e presunções de paladino de causa nobre e pura, querendo com isto dizer que as beatas e os beatos de outrora, os ratos e as ratas de sacristia de então, estão hoje com tiques e fervores ao serviço de outras causas, isto porque o tipo psicológico do servo acéfalo existe independentemente de uma ideologia dominante e se, em eras de deus, a polícia de esquina dos costumes andava à cata do pecador, pois os peões de giro dos dias que correm vão de assobio de alarme à boca ao primeiro indício de que alguém se apreste para trautear a modinha da fada do lar, o fadinho do rancho de filhos, o hino naftalento da família de pai e m?e.

A desconstrução de valores não serve o todo social; criminalizar ou abominar as franjas tampouco. Situando-me no terreno da IVG: se a defesa do direito a abortar tem aura de positiva, porque é que campanhas que se façam de orientação contrária são a priori e consumadamente negativas, e retrógradas, e o mais que se queira acrescer de sulfuroso? Adiante, se a autonomização da mulher é justa da capa à contra-capa, porque é que são de todo de evitar as trovas em favor de mitificada czarina do lar de linha e agulha pronta, mais de marmeladas de reserva para um ano de merendas? Se ninguém deva ser apontado por quem tenha por parceiro/a de vida, que salto contrário a sensibilidades de terceiros não se protagoniza com a publicidade aberta e invasiva às práticas dos subgrupos? Coisas que em Portugal se notarão menos, mas do que releva de outros horizontes posso carrear polémica recente em torno dos programas escolares, situando-me em França. Materializa o Conselho Superior de Programas francês os “estandartes para a educação sexual na Europa”. Não sei se em Portugal há organismo análogo, mas a seu tempo ele acabará por dar sinal de vida, e com produções normativas para os mesmos fins. Ora, bom era que soubéssemos que os ditos estandartes europeus assentam em conceitos erigidos por um grupo de trabalho agenciado pela OMS, em 2008, grupo em que 16 dos 17 integrantes estavam ligados à movida LGBTIQIA+. Não será gente a mais?

E a história do logótipo! Montenegro revogou a produção de tão afamado e laureado designer. Revanchismo? Sim, porventura. Mas porque é que é tacanho quem no rectangulozi- nho, no quadradinho e na bolinha, mais não vê do que primitiva prancha de encaixes de promoção cognitiva e de incentivo à mestria oculomotora da criança lá de casa? E aquela dos adeptos da coisa, de que é necessária muita arte e engenho para simplificar, e para através do simples veicular o complexo? Enfim, porque não. Mas, em terrenos em que tudo é argumentável, eu salta-me que a solução não seja t?o inclusiva quanto isso: onde é que está o triângulo? E o trapézio? E o pentágono, mais o hexágono, mais o octógono, mais toda e qualquer das figuras regulares e irregulares de uma geometria acabadamente inclusiva. Portugal merece-o e o mundo só pode contar connosco para empresa desta magnitude.

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