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Dezembro…

O espantalho

Voz às Escolas

2014-12-18 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Há momentos que, pela singularidade de que se revestem, deixam marcas impossíveis de apagar, sobretudo quando o olhar reforça o sentimento que as palavras pretendem exprimir.
Para além das festividades que grassam um pouco por toda a parte lembrando que o Natal está próximo, no mês de dezembro, também a escola dedica todo o tempo possível a reforçar o verdadeiro sentido da solidariedade e da união da família, através de uma panóplia de atividades que os professores não desistem de dinamizar com os alunos e com toda a comunidade educativa, na tentativa de minimizar os efeitos nefastos da desestabilização de um cada vez maior número de agregados familiares.
Não sendo uma missão que apenas se cumpre nesta época, todos reconhecemos, no entanto, que em dezembro somos mais sensíveis às assimetrias sociais, talvez porque se instituiu que a época fosse vivida em reunião familiar, em volta de uma mesa onde se espera não faltem os pratos tradicionais, para além da habitual troca de presentes que fascina sobretudo os mais pequenos, o que nem sempre acontece, e cada vez menos acontece de forma generalizada.
Se recuarmos no tempo e percorrermos os anais da história, sempre existiram diferenças gritantes entre os natais, conforme o estrato social das famílias, mas naquele tempo havia mais família e, com muito ou pouco, todos se reuniam e partilhavam o que tinham, e o calor humano reforçado pelas chamas das lareiras atenuava as carências de ordem material.
Os tempos mudaram e hoje escasseia também essa forma sublime de viver, em família e com partilha, e talvez essa diferença, que pode ser considerada irrelevante, justifique a crescente necessidade da escola promover momentos de alegria e convívio nesta época do ano, antecipando o Natal e partilhando afetos.
E assim, dotada de cada vez menos recursos materiais, a escola sai à procura da colaboração daqueles que, altruisticamente, continuam a ser recetivos aos desafios que lança, o que lhe permite proporcionar momentos inesquecíveis a quem sonha com tão pouco e consegue ser feliz com pequenos gestos que fazem toda a diferença.
Este dezembro tem sido de uma riqueza indescritível pela forma como se conjugaram esforços para fazer brilhar o sorriso dos alunos com necessidades educativas especiais que escolheram o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio para ser a sua escola, dotando alguns deles de ferramentas que facilitem, no futuro, a sua transição para a vida ativa.
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência foi vivido com uma intensidade contagiante, constituindo um exemplo da força de quem não se conforma com a falta de recursos e, esquecendo os atropelos constantes a que está sujeito, congrega esforços e derruba barreiras, num passo de magia de que só os vendedores de sonhos são capazes.
O sonho surgiu e, num ápice, a escola estava a responder ao desafio da Quinta do Minho, na Póvoa de Lanhoso, uma empresa que através do projeto “Realizar o Sonho de uma Criança” transformou a vida do Luís Carlos e do Márcio, concretizando o seu sonho - conhecer um cantor de cantigas ao desafio, não um qualquer, mas o Hélder Batista, de quem, confesso, nunca ouvira falar, e ter um computador. E assim, na passada sexta-feira, o Luís Carlos e o Márcio cantaram e dançaram com o cantor, receberam um computador portátil e uns “fones”, uma pen e, vejam só, uma concertina!
Podem reduzir-nos as verbas, não reconhecer o trabalho que fazemos e desestabilizar-nos com todas as medidas avulso que inventarem, mas momentos como este só mesmo quem trabalha no terreno, enfrentando e vencendo tempestades, pode regozijar-se de ter vivido.
Ficam marcas que o tempo nunca apagará, mas estas são de emoção, de verdadeira recompensa por nunca desistirmos das causas que abraçamos.
Este dezembro ficará para sempre na memória de todos quantos sonharam e realizaram que o Natal de 2014 fosse tão surpreendentemente antecipado, porque muito mais que as palavras falaram as lágrimas de felicidade de quem através do olhar tão bem se exprime.
Um Santo Natal e um excelente Ano Novo para todos os leitores do Correio do Minho.

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