Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Dia do Perfil do Aluno

O mito do roubo de trabalho

Voz às Escolas

2018-01-24 às 06h00

João Graça

O Dia do Perfil do Aluno decorreu no dia 15 de janeiro em escolas do país numa iniciativa organizada pelo Ministro da Educação em colaboração com a Federação Nacional de Associações de Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário. Todas as escolas, de todos os níveis e ciclos de ensino foram convidadas a participar para a definição de um perfil consentâneo com os desafios colocados pela sociedade contemporânea, para o qual devem convergir todas as aprendizagens, garantindo-se a intencionalidade educativa associada às diferentes opções de gestão do currículo.
A Escola Secundária de Vila Verde não ficou indiferente ao desafio lançado, e uma vez que os diversos Departamentos Curriculares refletiram sobre o documento no início do ano letivo, fazia todo o sentido trazer a discussão para o palco dos alunos e de todos os parceiros da comunidade.

Deste modo, e se o documento preconiza mudanças no modo de se construir Escola, urgia divulga-lo junto dos alunos e dos seus representantes. O repto foi lançado à Assembleia de Delegados e Subdelegados para, em coletivo, se proceder à reflexão, análise e discussão em torno do documento Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória. É de realçar o nível de participação, envolvimento e propostas sobre o que deve ser a Escola, e que mudanças devem ser postas em prática na forma de ensinar e aprender. Conscientes que a Escola tem que mudar, devendo reajustar-se às novas realidade sociais e culturais, mais atentas ao aluno como individuo, logo menos uniformes, os alunos responderam, propuseram e participaram. Entenderam este modelo como algo que os procurava orientar/reorientar naquilo que percecionam que deve ser Escola, a sua Escola.

Perante esta Era da Informação e dos Big Data importa equacionar o papel da escola na sociedade.
Importa, perceber se o todo o processo de construção de um aluno se adequa a estes novos tempos.
Importa compreender se Escola está a ensinar os nossos jovens para os tempos que se avizinham.
Importa repensar a Escola, pois ela encerra a causa e a consequência do avanço das novas tecnologias, das mudanças de paradigma do que são/devem ser os alunos e os professores e mesmo das novas orgânicas de pensar e explorar formas de pensar.
A importância do documento que foi colocado à disposição das escolas, e que foi no passado dia 15 de janeiro discutido, reside na necessidade que todos temos, professores, alunos, pais e comunidades de refletir sobre o papel da escola, no futuro dos nossos discentes.

Claramente que a Escola se rege pelos resultados, assumindo-se extremamente classificatória, numérica, reduzida à necessidade de um resultado final que permita ou não limite o acesso a carreiras profissionais. Não se trata de escamotear a verdade irrefutável de que os alunos são condicionados pelos resultados académicos, mas será que é esta a melhor forma de integrar conhecimentos, processos, que se pretendem promotores do sucesso do indivíduo. Não se trata de romper com o passado, trata-se de integrar do passado o que dele importa integrar Organizar e desenvolver atividades cooperativas de aprendizagem, Promover de modo sistemático e intencional, na sala de aula e fora dela, atividades que permitam ao aluno fazer escolhas
Especialistas da área referem que Uma das implicações desta cultura performativa consiste na adoção de práticas curriculares e avaliativas por parte dos professores que tendem a reproduzir a avaliação externa marcadas pela ritualização e uniformização. A proliferação da cultura da ficha e do ensinar para o teste, a introdução de materiais padronizados e o treino de conhecimentos constituem alguns exemplos do modo como a lógica do controlo se sobrepõe a uma visão mais holística e flexível de currículo e de avaliação.

Ao olhar-se para o exemplo de alguns países constata-se o novo paradigma de escola, que o dito perfil impõe às escolas que, entretanto, está a ser operacionalizado no projeto piloto a decorrer em 236 escolas do país, a Flexibilização Curricular, em que o sistema de avaliação é orientado por uma lógica formativa, com um modelo de currículo mais flexível, com métodos de avaliação diversificados e versáteis, associada a uma autonomia curricular e pedagógica dos professores. Nestas escolas procura-se a promoção da aprendizagem dos alunos e o seu desenvolvimento contínuo, assim como a busca da equidade educativa.

É evidente que estamos perante um novo paradigma de sociedade, de escola e de aluno. É bem possível que este não seja o caminho, mas temos que assumir compromissos que permitam comprovar a exequibilidade deste novo paradigma. Todos temos que assumir este compromisso, no qual podem estar inerentes tentativas, erros, falhanços, panaceias, hoje certas, amanhã rasgadas porque já não encerram verdades.
Mas afinal não é este o caminho daquilo a que se chama inteligência? Testar e romper ou validar.
A eficácia destes modelos encerra-se com um período de maturação, não devendo ser disruptivo. O que se constata é a existência de uma politica de rompimento com o passado, sem preservar e integrar o que cada modelo possui de mais válido, com escassos momentos de monitorização, em que cada um se satisfaz com a impressão do seu ADN ideológico.
Nesta reflexão a NOSSA escola mostrou que está atenta à mudança e quer fazer parte dela!
A NOSSA escola mostrou, mais uma vez, que a Escola faz-se com TODOS!

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