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Dia Internacional da língua materna

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Dia Internacional da língua materna

Voz às Bibliotecas

2020-02-21 às 06h00

Fernanda Santos Fernanda Santos

“Ouvi! A Língua é Bandeira da Pátria, que reza e canta.
Bendito quem, entre tanta de altiva cor estrangeira, à luz do Sol a levanta!

A Língua é Alma envolvente da Pátria de todos nós.
Maldito quem, loucamente, lhe mancha a pureza ardente ao bafo da escura voz!”

António Correia de Oliveira

Celebra-se hoje, 21 de fevereiro, o Dia Internacional da Língua Materna. Proclamado pela UNESCO em 1999, é comemorado em todos os seus países membros, com o objetivo de proteger e salvaguardar as línguas faladas em todo o planeta.
Contudo, esta missão de salvaguarda não é nada fácil. Aliás, a própria escolha do dia 21 de fevereiro para comemorar o Dia Internacional da Língua Materna serve para lembrar a população mundial da tragédia que ocorreu precisamente no Bangladesh onde várias dezenas de jovens perderam a vida ao defenderem a sua língua materna. O bengali é assim uma das poucas línguas pela qual seus falantes sacrificaram as suas vidas. O seu sacrifício fora afirmado como o primeiro vetor de identidade cultural, pois sabemos que quando uma língua morre, desaparecem com ela culturas e mitologias.
A nossa identidade cultural é o que somos. E o poeta Fernando Pessoa vai mais longe ao afirmar:
“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente.”

Pessoa cantou a língua com tanta paixão que brincou com sua noção de território. Portugal já não basta, agora a sua pátria é a própria língua portuguesa, aquela que é a 6ª língua mais falada no mundo.
Recuando mais ainda no tempo para redescobrir quem, de forma épica, usou a nossa língua para cantar as aventuras de um povo, só podíamos estar a falar do grande escritor Luís de Camões e da obra “Os Lusíadas”. Amar a Língua Pátria é uma forma de patriotismo: “O peito ilustre Lusitano,/A quem Netuno e Marte obedeceram.”

Foram muitos os poetas que cantaram a Língua Portuguesa, realcemos Olavo Bilac:
“ Última flor do Lácio, inculta e bela /És, a um tempo, esplendor e sepultura:/Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela [...]”
Nesta estrofe, “Lácio” personifica o Latim com toda a sua nobreza, língua de que o português é originário.
Ainda na mesma linha de pensamento, lembremos o Padre António Vieira a quem Fernando Pessoa chamou de “Imperador da Língua Portuguesa”. Foi um escritor genial, que ainda ninguém conseguiu igualar na mestria e na beleza dos seus sermões: “Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso Deus nos deu tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer, Portugal, para morrer, o mundo”, escreveu ele no Sermão de Santo António.

Podemos assim concluir que um povo que não saiba preservar a sua Língua é um povo destinado à ruína cultural e arrisca-se a desaparecer. E como a perda de Línguas empobrece a humanidade! O que nos pode salvar?
Segundo a UNESCO, o multilinguismo é o nosso aliado na procura de garantir educação de qualidade para todos, na promoção da inclusão e no combate à discriminação. A construção de um diálogo genuíno e baseado no respeito pelas diferentes Línguas. Assim, o papel da língua materna não só no desenvolvimento da criatividade, da capacidade de comunicação e na elaboração de conceitos é hoje reconhecido pelo Conselho-Geral da UNESCO, que também enfatiza o facto de as línguas maternas constituírem o primeiro vetor da identidade cultural.

Sabia, por exemplo, que nos países e regiões em que a Língua Portuguesa é língua oficial, esta convive com mais de duzentas e sessenta outras línguas? Convivem com músicas, ditados, piadas, remédios e receitas tradicionais, que dependem das particularidades de cada língua para existir; convivem com mitologias inteiras, fortalecidas nos povos que, muitas vezes, dependem da transmissão oral.
Faço agora uma pausa neste assunto para voltar a falar dele na próxima crónica, pois acredito que quanto mais falarmos dele mais fortalecemos a nossa Língua.

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