Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Dia mundial do Doente

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2014-02-14 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Opapa João Paulo II instituiu, para a Igreja Católica, o dia mundial do doente, no dia 11 de fevereiro de 1992. Na carta de instituição o pontífice lembra que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”.
O papa Bento XVI, antes da sua resignação a 11 de fevereiro de 2013, publicou, do dia 2 de janeiro desse ano, a mensagem onde convidava as comunidades católicas a viverem o serviço da caridade, em particular junto dos doentes, evocando o exemplo de Madre Teresa de Calcutá.
Também o papa Francisco, na sua mensagem deste ano, inspirado no Evangelho - Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16) exorta-nos a acompanharmos aquelas que sofrem com Fé e Caridade, como Maria acompanhou o Filho no sofrimento da sua vida.
Esta efeméride, instituída no dia que a liturgia dedica a Nossa Senhora de Lourdes, é celebrada, anualmente, pela igreja católica, um pouco por todo o mundo de forma muito variada, em Portugal através da celebração de missas e de ações que visem sensibilizar a sociedade civil para a necessidade de apoiar e ajudar todas as pessoas doentes. É um dia importante para a igreja católica, o dia mundial do doente é consagrado à reflexão e à oração.
Tive a felicidade de poder participar, num destes momentos, na comunidade paroquial de Ferreiros (Braga) na companhia de minha mãe. Ao acompanhar a reflexão do celebrante fixei-me nas pessoas que me circundavam, umas curvadas pelo sofrimento de doenças, mais ou menos prologadas, outras pelo peso da idade, e descobri, nos seus rostos que para além do sofrimento, que naturalmente era visível, um olhar de serenidade e de dignidade.
Rapidamente esta visão me projetou para a minha meninice e revi aqueles rostos e as suas vidas, muitos deles que nunca foram à escola, mas que pugnaram para que os seus filhos concluíssem a escola primária, outros ainda prosseguissem os estudos nas escolas técnica e comercial ou no liceu e alguns, poucos é certo, ainda se formaram no instituto ou na universidade.
Percebi que estava envolvido por uma geração de pessoas que marcaram o desenvolvimento do seu país e das suas famílias. Por isso, nem o peso da idade e do sofrimento lhe retiram, bem pelo contrário, aquele olhar de dignidade de pessoas que construíram o futuro para a minha geração bem melhor do que o receberam e muito melhor do que aquele que a minha geração deixa à geração vindoura. Esta dignidade advém de terem sido construtores de um mundo melhor.
Finalmente, dou comigo a pensar que, hoje, sou eu que tenho de valorizar, com a minha ação, estes percursos de vida notáveis e por isso as palavras de Dom Jorge Ortiga batem bem fundo do meu coração: ”a fé com a oração e a caridade vão ter de descobrir caminhos novos de atenção aos doentes”, interpelando-me como Tiago: “Ó homem insensato, queres ver como a fé sem obras é inútil? Não foi o nosso antepassado Abraão justificado pelas obras ao oferecer o seu filho Isaac em sacrifício? Deves ver então que a fé foi acompanhada pelas obras e que foi por elas que a fé se manifestou” (Tg 2, 20-22).
Sinceramente, espero que, quando estes tempos nos chegarem, também nós, tenhamos na nossa face e no nosso olhar o brilho da serenidade e da dignidade, próprio de quem viveu com os outros e para os outros.

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