Correio do Minho

Braga, sábado

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Dias quentes do mês de Julho

Escrever e falar bem Português: Desafio

Conta o Leitor

2019-07-10 às 06h00

Escritor Escritor

Carlos Alberto

Dias quentes de verão no mês de Julho, enquanto no interior de uma das aldeias no Distrito do Porto, vivia uma família composta por cinco pessoas, o Abel e sua esposa Ermelinda, juntamente com seus três filhos, o Isaque a Mónica e a Conceição.
Passavam das duas horas da tarde e nenhum dos filhos tinha chegado a casa, seus pais só notaram a sua falta porque na hora do almoço todos deviam cercar a mesa como o faziam desde sempre.
Abel sustentava a sua prole com uma agricultura familiar de subsistência e todos tinham tarefas destinadas, que cumpriam com entusiasmo nas horas e momentos determinados, a escola dos filhos era sempre intercalada com tais obrigações como rotina pedagógica.
Havia os que tratavam dos animais, das limpezas das plantações, apanha e acompanhamento.
As leiras onde desenvolviam a sua atividade ficavam nos socalcos escorados por lajes e murados pouco consistentes, deixando abertos pequenos regos por onde se escapam montanha abaixo, as águas da rega e pluviais.
A agricultura praticada nas leiras estreitas, permitiam uma produção de alimentos básicos de sustento regular, quase à medida do número de participantes nas tarefas desenvolvidas diariamente.
As leiras carregadas de legumes, leguminosas, tubérculos e frutos, que as árvores carregam como sentinelas circundantes, dando aconchego e sombra ao local paradisíaco e dispensa natural desta família.
No sopé da montanha junto a um barranco, quatro paredes de pedra amarela, cimentado com saibro e debruado a musgo no lado Poente e Norte, encostado na parede de lado Nascente com um coberto que protege e abriga um tanque onde lavam a roupa.
O telhado com telha francesa, suportadas e apoiadas por traves e troncos com o aspeto rústico, como que se tivessem sido cortadas das árvores e colocados diretamente sem qualquer arranjo, deixando até as cascas que quase sumidas, apresentam um toque sublime e rude como as tarefas que eles enfrentam diariamente.
As divisões foram feitas com grande espaço, uma sala com fogão a lenha e uma chaminé com uma tiragem muito boa, quase um sugador de fumos.
Os três quartos sendo o maior do lado Nascente o de Abel e Ermelinda, seguido do quarto do Isaque também do mesmo lado, o terceiro com as duas meninas que dormem em beliche, e parece ser o quarto mais organizado estando sempre ocupado com uma ou outra irmã, que além do estudo recolhido, fazem leitura regular e ouvem muita música.
O quarto da Mónica e Conceição virados para Poente, permite-lhes receber até tarde o Sol deste verão quente.
Pergunta o Abel à sua esposa - alguém te disse que chegaria tarde para almoçar?
- Ou sabes de algo que eu não sei?
Responde com expressão de aflição, - não!
E antes que seja tarde, vou no caminho que eles costumam percorrer para ver onde se perderam, sempre deve haver alguém que os viu e me diga como os encontrar!
- Espera Ermelinda, fica em casa até que eu chegue, porque entretanto podem chegar enquanto preparas uma bucha, até porque o meu estômago já se está a queixar.
Abel saiu embaralhado entre pensamentos bons e maus ao mesmo tempo, como em luta dos contrários, dizendo na cadência dos seus passos e batimentos de coração, devem ter encontrado alguma amizade que os desencaminhou, ou talvez lhes pediram ajuda, como são jovens bem formados nem olham para o relógio, mas ao mesmo tempo foram muito irresponsáveis nenhum dos três se lembrou de ir a casa informar os pais?
- Acho tudo muito estranho? – Cada passo que dava, uma lembrança má o assaltava e fazia nova pergunta a si mesmo.
Chegou junto da escola e perguntou a um amigo do seu Isaque – Luís, - sabes onde posso encontrar o meu filho?
Não senhor Abel, só estive com ele na escola e quando saí, vi que entrou com as irmãs para um automóvel de pessoa amiga que lhe disse dar boleia!
- Obrigado Luís e passa bem! – Seguiu mais angustiado e com pensamentos que o começavam a aterrorizar, será que foram raptados? - Os três não seria fácil, mas quem é o amigo com carta e automóvel?
Será que se estamparam por um destes barrancos abaixo?
Foram tantas as perguntas que se fez a si mesmo, que passou pelo Café Central sem cumprimentar os amigos, que estavam na cavaqueira em roda na porta do dito.
Quando repararam na distração, em gritaria - ó Abel! - Guarda o teu dinheiro!
- Boa-tarde amigos e desculpem-me que nem reparei em vocês, já agora, algum de vocês viu os meus filhos a passarem por aqui?
Em coro, - já passaram pelo menos á mais de duas horas!
- Seguiam em alta velocidade num bom-carro!
Estou com pressa já me vou, e obrigado pela informação!
Os passos e o coração aceleraram dando força ao raciocínio que já vinha a fazer desde casa, mau presságio se adivinhava na cabeça de Abel.
Quem será que lhes deu boleia?
Fez uma viagem mental por todos os habitantes com carta de condução, mas nenhum seria capaz de convidar seus filhos ou dar-lhes boleia por morarem em sentidos opostos.
Seriam levados ao engano, convencidos que estariam a ajudar um perdido?
Sempre com a cabeça a rodar em todos os sentidos, olhando por talhões todas as bermas e barrancos, sem um mínimo indício de acidente ou despiste.
Ofegante com as pernas a cederem a velocidade de passo que tinha imprimido, relaxou de repente quando pensou que se estaria afastar e seus filhos poderiam ter chegado a casa com uma explicação mais correta que qualquer dos seus maus pressentimentos, mas voltou outra vez a ideia de estarem longe e a precisar de ajuda.
Vou a casa, pego na motorizada e junto da GNR, posso saber mais novidades ou fazer uma busca com eles, por alguma razão são militares da ordem Pública.
Chega a casa esbaforido, gritando para a Ermelinda, mulher chega-me a chaves da Florete, que está no chaveiro da cozinha, que eu tenho que sair com urgência.

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