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E depois da Covid-19, quando o futuro se tornar presente?

Idoso

E depois da Covid-19, quando o futuro se tornar presente?

Ideias

2020-04-27 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

As incertezas são cada vez maiores, apesar da ansiosa vontade de regressamos à nossa vida normal. Seguramente, uma normalidade diferente daquela do contacto social, do convívio tranquilo na nossa linda praça, nas agradáveis conversas desfiadas nas esplanadas com mesas que não respeitavam o atual distanciamento social. Nos restaurantes que mantêm a suas iguarias gastronómicas, à espera de dias melhores. Nas escolas e universidades marcadas pelo bolício dos grupos de estudantes, que se cruzavam com a naturalidade própria da forma calorosa, que marcavam as nossas relações sociais. No comércio de portas escancaradas, sem acesso controlado.

Enfim, tantas outras mudanças que vão marcar a libertação do estado de confinamento a que estivemos remetidos às nossas casas, que por mais confortáveis se transformaram numa espécie de presídios domiciliários. Relevando os aspetos mais positivos de convívio familiar, que aproximaram e, simultaneamente, separaram familiares pelas mais variadas razões, em que a doença será aquela que nos merece a maior preocupação. Um sentimento de isolamento e de sensação de solidão claustrofóbica, que se aprofundam à medida que o tempo passa, que as redes sociais e as infraestruturas eletrónicas vão amenizando.

Depois desta visão emocional, que não pretendeu fazer um retrato exaustivo da constelação de sentimentos e angústias, que estão submersos na penumbra das longas noites e na espuma destes longos dias tristes que estamos a viver. Uma situação enfrentar com a resiliência e o estado de alerta, próprios de um estado de guerra. Uma guerra não convencional difícil e traiçoeira, contra um inimigo que está identificado, a COVID 19. Um Inimigo que teima em esconder-se atrás da sua agressividade e cobardia, que a investigação científica, a indústria farmacêutica e as mais evoluídas práticas médicas, ainda não conseguiram contrariar de forma eficaz e definitiva.
Perante esta impotência, estamos a comprar tempo! Uma estratégia que a maioria dos países estão a adotar, por via deste penoso confinamento. Sendo uma medida adequada, paralisou a economia e revelou a debilidade dos complexos sistemas e infraestruturas de saúde e da indústria farmacêutica. Apesar das tentativas e ensaios laboratoriais, que, entretanto, estão a ser desenvolvidos em todos os continentes, e de onde aguardamos uma vacina capaz de vencer este inimigo universal.

Um esforço a que se tem juntado a coragem abnegada de muitos milhões de cidadãos, que no exercício das suas profissões e/ou voluntariamente, tem assegurado a normalidade possível e o funcionamento dos serviços fundamentais. Os hospitais e os serviços de saúde. O fornecimento de bens essenciais, com destaque para o comércio de proximidade. Os serviços de limpeza e recolha de lixo. As forças de segurança, a proteção civil e as forças armadas e as empresas que se têm mantido em funcionamento para manter os postos de trabalho. Os serviços públicos, as escolas e as universidades que se estão a desdobrar para que o sistema não pare. Entretanto, estamos a preparar o nosso regresso gradual.

Quanto vai custar este tempo? A curto prazo, uma quebra do PIB e a médio longo prazo a adoção de medidas de austeridade, apesar das medidas que estão a ser adotadas pelo País e pela União Europeia. Há custos económicos avultados, resultantes da quebra da produção de riqueza. Vai ser necessário fazer um grande esforço financeiro para fazer face ao endividamento, para pagar a fatura das despesas com a saúde, repor o funcionamento do setor produtivo e o setor social.
Sendo esta uma guerra à escala global, o seu impacto vai ser mundial. Tivemos duas guerras mundiais, de que guardamos memória, que tiveram desfechos diferentes. Uma, apesar do protecionismo protagonizado pela hipocrisia dos vencedores, agudizou os radicalismos ideológicos e os ímpetos hegemónicos das grandes potências de então, que tiveram que ser travados por uma segunda guerra mundial. Desta vez com consequências, embora graves e catastróficas de destruição e morte, deu origem a um período paz solidariedade e cooperação internacional e de estabilidade dos regimes democrático por um período bastante longo, que não se deixou abalar pelo período de guerra fria.

E agora, o que vai acontecer a seguir à guerra contra COVID 19? Uma recidiva desta pandemia. O regresso dos nacionalismos e dos extremismos, que começam a desenhar no horizonte geopolítico. A desarticulação do comportamento de alguns países em relação à pandemia, a começar pela Europa. A falta de confiança da economia real, das empresas. São perspetivas, que não preconizam alinhamentos futuros de grande solidez.
Estamos a ver que a resposta é muito complexa, e a sua fundamentação está mergulhada num contexto de incertezas e dúvidas que não aconselham previsões precipitadas, para que quando o futuro se tornar presente, “tudo vai ficar tudo bem”, com a esperança renascida, no dia em comemoramos a o 25 de Abril e celebramos a democracia!

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