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E depois da pandemia?

O tasco e a tasca

E depois da pandemia?

Ideias

2021-05-14 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

As estatísticas demonstram que Portugal é um dos países da UE em piores condições para ultrapassar esta crise económica provocada pela pandemia. Entretanto, esta demonstrou quão frágil é o tecido económico nacional, constituído por milhares de empresas ineficientes e improdutivas; uma estrutura social cavada entre ricos (poucos) e pobres com uma classe média em contínuo retrocesso; uma clara divisão entre quem conseguiu manter os rendimentos e quem, pura e simplesmente perdeu o emprego e se viu despedido; e um Serviço Nacional de Saúde sem investimentos e mal gerido, o qual só funcionou à custa dos sacrifícios e dedicação dos seus médicos, enfermeiros e técnicos.

E, todavia, a economia terá de mudar em detrimento das empresas inúteis e dos trabalhadores desajustados. Vem aí uma economia diferente, digital com mais atenção ao ambiente.
Mas a pandemia mostrou também fenómenos como o de Odemira que envergonha qualquer pessoa decente. Quando os naturais de Odemira se deram conta que grassava a pandemia entre os trabalhadores imigrantes, aqui del, rei que é preciso isolá-los e pô-los num geto. Mas. também vieram ao decima as condições miseráveis em que foram contratados e trabalham esses migrantes. E, quando o ministro da administração interna procurou alojar alguns num empreendimento falido (Zmar), com dívidas ao Estado de cerca de 70 milhões de euros, os proprietários (?...) de algumas habitações opuseram-se porque não queriam ver o seu espaço poluído. E, apesar de o ministro cabritar mais uma vez, as televisões deram voz a estas pessoas bem, como haviam dado aos capitalistas (não há capitalistas em Portugal, apenas indivíduos com boas relações na banca) que devem 300 milhões de euros ao Novo Banco, mas que não pagam, como é normal.

É este o mundo cão em que vivemos e como o nosso dinheiro é gasto.
Mas, voltando ao tema principal, temos a sensação que muito vai mudar. Joshua Gans, em Saúde e Economia: o Impacto Brutal de uma Pandemia (abril de 2021), embora concordando que a Pandemia é uma guerra que deixa tudo destruído, defende que a economia não vai ser reconstruída na forma como existia. Neste sentido era razoável que a transferência de dinheiro comunitário não visasse recriar a economia preexistente.
De seguida, e na sequência de Keynes, este economista chama a atenção do Estado na direção das políticas públicas. Esta não é uma questão que dependa do funcionamento do mercado.
Além disso, será necessária uma resposta global às futuras pandemias, já que as respostas nacionais não resolvem o problema; o que obrigará a uma política proativa de tipo internacional, como aconteceu depois da guerra com organizações internacionais, como o FMI.

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