Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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E Depois?

Quem fez o trabalho de casa?

Ideias

2011-04-29 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

E agora eu gostava de dizer que tudo vai bem. Que o crédito é infinito e sujeito a juros baixos; que podem continuar a comprar uma segunda casa de férias; que podemos fazer pelo menos duas viagens de férias para as Caraíbas; que podemos mudar de carro para uma gama mais alta; que os empregos estão seguros e os salários irão aumentar; que a saúde está assegurada e que a educação de nossos filhos se fará a custo zero e que as reformas irão aumentar. Nesta semana de Páscoa eu gostaria de anunciar a euforia de há três anos atrás.

Mas tudo mudou. De endinheirados passamos a pedintes e caloteiros. Faz-me lembrar a canção de há anos “ E tudo o vento leva; e ela não voltou…”.
Apesar de tudo gostaria de pensar que a receita do FMI curava a doença do país. Mas dizem-me que não é verdade, emprestam o dinheiro, mas impõem medidas draconianas destinadas a garantir o reembolso dos empréstimos e os respectivos juros. Mas a doença continua. Esta doença genética de gastar mais do que o que se tem foi resolvida no passado com subterfúgios vários: a pimenta da Índia, o ouro do Brasil, as remessa dos emigrantes e os fundos comunitários.

E agora? Há que pagar as dívidas, terminada que foi a técnica bem portuguesa de fazer empréstimos para pagar empréstimos. Pelo que as eleições que se aproximam são pouco importantes. O Programa do governo está a ser estruturado pelo FMI e Associados, seja qual for o vencedor; e se até aqui as promessas eram promessas vãs, agora são idiotas. O que está em causa é tão só o grupo de políticos mais capazes de implementar o programa imposto pelos credores.

Não nos iludamos. Os partidos vão procurar caiar a sua imagem, recorrendo os chamados independentes, técnicos ou universitários. É o que fez o PSD com o recurso ao Dr. Fernando Nobre e outros; e o PS, ao despachar o Prof. Teixeira dos Santos. São faces da mesma moeda.
Os partidos são máquinas orientadas para a conquista e manutenção do poder. Quando precisam recorrem aos independentes, mas o objectivo é sempre em benefício da máquina.

Fui várias vezes solicitado a participar em políticas da reforma de Administração Pública, desde o SIADAP ao PRACE. Por razões de vária ordem nunca me envolvi directamente. E quando me sentia desiludido e desanimado, a minha mulher lembrava-se que se a reforma fosse um sucesso, os louros seriam para os políticos; se fosse um fracasso, transformavam-me em cavalgadura. Foi assim com Teixeira dos Santos, o qual rapidamente passou de bestial a besta. É a vida, direi ao meu amigo Fernando T. Santo. Só lhe restava uma alternativa: substituir o Primeiro Ministro, mas decididamente não tem jeito, nem feitio. Mas assim fizeram o Oliveira Salazar e Cavaco Silva.

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