Correio do Minho

Braga, quarta-feira

E eu que não gosto de azul

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Correio

2010-09-27 às 06h00

Leitor

Eu, particularmente, não gosto de muitas coisas, e por outras tantas sinto uma ligeira repulsa irritante. Isto para não falar da coisa pública, senão, às tantas, iria parecer o velho pistoleiro que dispara em todos os sentidos para não acertar em coisa nenhuma.

Sentir um distanciamento afectivo perante alguém ou alguma coisa - vulgo não gostar - é um comportamento normal, até um certo ponto, no ser humano. Utilizar esse posicionamento pessoal ou, quando muito, grupal para definir o sentido ideológico e cultural de um Estado é outra bastante distinta, tanto mais quanto esse sentido for transvestido na dependência do bem comum.

Por estes dias, vamos acompanhando o caso pragmático da França que, pela mão dos seus governantes, iniciou um ciclo de limpeza fácil na esperança que daqui renasça o sentido de nacionalidade (sobretudo económica), de preferência mergulhado num fervoroso apoio político, que faça esquecer todas as marchas e greves até aqui consumadas.

E, efectivamente, existe uma taxa de aceitação interessante por parte dos franceses das medidas de diminuição do outro. E se, por qualquer tipo de razão aparente, existe uma justificação mínima (será?) que possa apoiar publicamente a expulsão de estrangeiros do seu território - ademais todos os países Ocidentais o fazem contudo dentro de um contexto jurídico e legal apropriado -, nada justifica a intromissão do Governo na vida privada de cada um.

A proibição de utilização do véu islâmico é tão verdadeira e aceitável como a proibição de utilização de uma cruz ou um qualquer outro adorno religioso ou mesmo estético.
É necessário recordar que a cruzada contra a utilização do véu islâmico é uma discussão antiga em território francês, além disso este já se encontrava proibido dentro das escolas públicas. Mais, outros países como a Holanda, Itália, Bélgica, Espanha e Alemanha pretendem decretar ou já possuem leis restritivas ao uso do véu.

Encontramo-nos perante um ascetismo patriótico demente, que busca fundamentações afloradas para uma suposta igualdade e liberdade religiosa e cultural assumindo, para tanto, uma marcada veia discriminatória perante a diferença, sendo incapaz de promover o multiculturalismo antes optando por uma deficitária óptica de igualdade pelo modelo Ocidental.

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