Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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E o povo é que paga

Quem fez o trabalho de casa?

Ideias

2018-04-20 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

1.º Eu sei que pode ser politicamente incorreto falar da cultura, assunto que ocupou as notícias da última semana. Sou incapaz de entender porque é que o Estado tem de financiar associações de tocadores de bombos ou cinema hermético da escola de Manuel de Oliveira, ou pagar desvarios intelectuais que só interessam a uma faixa minúscula da população. Entendo que o Estado deve financiar projetos, quando esses projetos tenham interesse para a cultura portuguesa (veja-se séries de episódios sobre a guerra colonial, participação de Portugal na 1ª guerra, etc.). Se o Estado financia o funcionamento de companhia, estas transformam-se em repartições públicas e então o poder político pode ver-se tentado a intervir no conteúdo da sua produção, mas então aqui del rei pela liberdade de criação.
Para além de projetos, o Estado deve financiar escolas de música, escolas de teatro, escolas de dança, museus com acesso a alunos das escolas, divulgação da língua portuguesa. Toda a restante produção deve respeitar a lei do mercado, mesmo que isso signifique fazer renascer a revista.
2.º Outra questão foi o salvamento dos bancos. Trata-se agora do Novo Banco. Quando se fez a intervenção no Banco Espírito Santo, dividiu-se em dois: o Banco Mau, titular de dívidas e de crédito mal parado; e o Novo Banco que, garantia do Banco de Portugal, funcionaria sem problemas. Entretanto já foram gastos mais de 17 mil milhões de Euros na salvação dos bancos nacionais. Ninguém sabe, ou ninguém quer dizer o que se passa com o Novo Banco. Mas quem paga é mais uma vez o povo, embora nos queiram convencer do contrário.
3.º Sabe-se hoje que para além do desleixo dos proprietários e das câmaras municipais, existem muitos responsáveis dos fogos do Verão passado: a EDP, O Serviço de Comunicações, a GNR, a Proteção Civil, os Bombeiros. Mas não se conhece a instauração de qualquer processo-crime. Mas na semana passada uma jornalista, acompanhada de um fotógrafo, fez uma reportagem que torna claro que o incêndio do pinhal de Leiria foi obra de um grupo de madeireiros que se reuniram na cave de um restaurante e que estabeleceram a estratégia de incendiar o pinhal e o preço a oferecer aos proprietários pelas árvores ardidas. Mais uma vez é o povo que paga.
4.º No princípio do ano o rio Tejo parecia um mar de espuma que chegava a Abrantes. Qualquer ignorante via que só podia resultar de produtos químicos lançados ao rio. Entretanto o meio ambiente dependente do rio morreu. Quem é, quem não é, constatando-se, depois de um processo caricato, que só podiam ser as celuloses situadas a montante, especialmente a Celnorte. Foi-lhe aplicada uma multa de 12.500 Euros (!...) que depois foi convertida pelo tribunal numa simples admoestação.
Entretanto, a Comissão Europeia suspendeu o processo de concessão de financiamento de 20 milhões de Euros por não cumprimento da legislação ambiental. O Ministério do Ambiente assumiu a responsabilidade da limpeza do rio Tejo, prevendo-se que venha a gastar alguns milhões de Euros.
Quem paga mais uma vez? É o povo, isto é, são os contribuintes.

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