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Braga, segunda-feira

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E os portões voltaram a abrir: “mascarados”!

A lampreia na Escola, uma aluna especial!

E os portões voltaram a abrir: “mascarados”!

Voz às Escolas

2020-05-20 às 06h00

Flora Monteiro Flora Monteiro

Os grandes portões das escolas reabriam, olhavam de esguelha os assistentes e a direção que estava lá para receber os alunos… e todos tão estranhos, tendo que esconder/refrear na distância a saudação efusiva e calorosa da simpatia que conforta e recebe bem!
Hoje, dia 18, foi realmente diferente! E estávamos todos um pouco nervosos! É natural! Era dia de saltar dos bastidores e enfrentar este momento tão ansiado e tão temido. Trabalhamos muito, muitas horas para que tudo estivesse o melhor possível. Mas não estava perfeito. Também erramos, também reajustamos. Só os que não trabalham conseguem fazer as coisas perfeitas!

Alguns dos nossos alunos vieram no autocarro, outros a pé e outros transportados pelos pais/família. Estes últimos deixavam-nos à porta da escola e nós dizíamos: - pode seguir, vai correr tudo bem! Aliás é o que temos feito nos últimos dias, confortar, acalmar, serenar - alunos, pais professores e assistentes - para além de toda a preparação logística e de higiene obrigatórias! E confortamos todos os que precisaram de nós e demos ânimo, apoio e ajuda.
Finalmente, e à hora determinada pelo Ministério, os nossos meninos entraram! Que receção! Borrifados nas portarias, mascarados no caminho, mas protegidos, sim, absolutamente seguros! A chamada foi efetuada, os alunos compareceram e souberam estar à altura desta situação anómala! E sei que vão ser um exemplo, como têm sido!

Os espaços de aula renovaram-se, os professores reinventaram-se! Os professores chegaram também com os seus legítimos receios, com todas as inseguranças de quem gosta de preparar e lecionar num espaço de proximidade mais humanizado, mais aconchegante, de falar e sorrir sem obstáculos físicos na comunicação.
Os nossos docentes, que orgulho! Vieram todos, quando uma boa parte poderia ter ficado em casa com um atestado por diversos motivos. Mas quiseram estar com os seus alunos neste momento difícil e fundamental do seu percurso. Vieram temerosos, mas cheios de ideias para trabalhar o melhor possível nestas circunstâncias. De se aproximarem dos alunos, de ouvirem as suas risadas e brincadeiras. E ao longo da manhã, sentiu-se essa descontração a voltar. Que bom foi percorrer, mais tarde, os espaços onde no início da manhã reinava um silêncio de espanto e onde se ouviam, agora, as conversas soltas e os risos espontâneos.
Os corações dos alunos foram aquecidos, mesmo os que traziam o medo da proximidade, a asfixia de ficar todo o turno com uma disciplina, a necessidade de se prenderam à aula, a obrigatoriedade de prestarem atenção num momento em que o pensamento continua a viajar por estas novas deambulações que nos procuram dia a dia.

Ao longo das últimas semanas tenho estabelecido um contacto direto com os cerca de 250 alunos que regressaram hoje. Foi mais uma diferença, uma maré suave neste mar revolto, que me permitiu partilhar algumas das suas angústias, dúvidas e constrangimentos.
Nesta manhã de reinício, quando fui ter uma conversa com os alunos de cada turma, sei que estive muito mais nervosa do que é habitual em mim, com alguma agressividade na voz… incompatível com o meu sistemático apelo à serenidade. Somos humanos. Se por um lado os queria acalmar dirigindo-lhes palavras de positividade, por outro lado não tinha espaço para (re)conhecer alguns dos seus problemas que, como lhes disse, considero serem muito pequenos perante as dificuldades sociais que já vemos à nossa volta, os problemas financeiros, as famílias que todos os dias precisam de nós, o receio de muitos professores e assistentes dos grupos de risco… O que se passa à nossa volta é brutal, o que ainda vamos viver também o será. Desde jovens que devemos aprender a relativizar os problemas, aprender a olhar à volta e saber ser solidário, voluntário, cidadão do futuro, perceber que, no mundo que nos rodeia há problemas verdadeiramente sérios.

Os nossos assistentes, em todas as frentes, em todos os locais, em todos os setores… responderam também um redondo sim! Ansiosos, como me diziam, por ver os nossos meninos…
Uns dias estranhos estes! Está tudo igual??? Não, um absoluto não! Há receios, há medos de prejudicar elementos da família, há o medo de “morrer” como me dizia hoje um aluno. É natural, foi um abalo nas nossas certezas, nas nossas convicções, no nosso modo de SER: ser pessoa, ser aluno, ser professor, ser diretor, ser assistente.
Faz falta ver os sorrisos por detrás da máscara, faz falta.

Tal como disse anteriormente:
Trabalhamos todos os dias para assegurar o melhor, mas fazemo-lo tendo presente que, mesmo estando unidos no atravessar destas dificuldades diárias, mesmo cultivando um novo espírito de solidariedade comunitária, podemos não sair todos vencedores, podemos não “ficar todos bem”, pelo que é necessário preparar os nossos corações e a nossa disponibilidade para essa contingência.
Façamos todos o nosso melhor, seguros de que ao cuidar o Presente, vamos ganhar o Futuro.

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