Correio do Minho

Braga, quinta-feira

E se as contas não estão bem feitas?

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Voz às Escolas

2014-03-03 às 06h00

Maria da Graça Moura

O programa é o referencial curricular do ensino de uma disciplina e as metas curriculares são organizadoras desse ensino, suporte de planificação do trabalho a desenvolver com os alunos.
Para um trabalho consistente, em matemática, é essencial uma plena consolidação de conhecimentos, é fundamental a boa aquisição, sem lacunas. Uma pequena dificuldade não superada pode comprometer o interesse pela matemática e consequentemente a condena ao insucesso.

E, além do extenso programa que utiliza uma linguagem com grau de abstração elevado, e das demonstrações teóricas, impostas pelas metas de aprendizagem, com frágil conexão ao desenvolvimento dos alunos, os professores têm de combater a falta de amor por esta disciplina, que faz com que a desistência seja o caminho mais fácil!

São tantos os alunos que desistem! E muitos deles compreendidos pelos pais que dizem “sim, ele é bom aluno, só na matemática é que não, mas tem a quem sair, eu também não era famoso!”
O tempo para apreensão dos conteúdos é um tempo fundamental. Há que cimentar bem cada degrau para que a capacidade de raciocínio se desenvolva! Esta é a capacidade suporte do conhecimento pois, pela procura contínua de soluções, conduz à superação de dificuldades!

É preciso tempo! Tempo para exercitar, para insistir e esclarecer, para ir de encontro a cada grupo de alunos, todos em diferente nível. Há que avançar e recuar, explicar e explicar. E, depois de compreendido, então o trabalho de consolidação, o empenho, o trabalho individual, a tentativa e erro, o querer aprender são a razão do sucesso ou, na falta, do insucesso!
E esse tempo é pouco!

Vamos fazer algumas contas. Uma turma do 7º ano tem aulas à segunda-feira, à quarta-feira e à sexta-feira, num total de duzentos e vinte e cinco minutos, sendo duas aulas de noventa e uma de quarenta e cinco minutos.

O número de aulas previstas no primeiro período, tendo em conta o calendário escolar, é de 67.
Os professores planificam o trabalho, estipulando 2 aulas para apresentação e diagnóstico, sete para avaliação (preparação, realização e correção de fichas de avaliação) e uma para auto e hetero-avaliação. Depois de retiradas estas, sobram 57 para lecionação dos conteúdos.
No segundo período as aulas previstas são 61 e feitas contas idênticas restam 53 e no terceiro período o número é de 37 e restam 33.

O total previsto é de 165 aulas de quarenta e cinco minutos, o que corresponde a 7425 minutos, mas para a lecionação de conteúdos, cumprimento do programa, são cento e quarenta e três, ou seja, 6435 minutos.

O número de tempos (tempo, para este efeito, é um período de cinquenta minutos) necessários para lecionar o novo Programa de Matemática do sétimo ano, composto por Números e Operações, Geometria e Medida, Funções, Sequências e Sucessões, Álgebra e Organização e Tratamento de Dados, é de cento e quarenta e sete, correspondente a 7350 minutos, pelo que o tempo necessário é inferior ao tempo real.

Se efetuarmos a diferença entre o total de minutos que a turma tem para a disciplina de matemática e o total de minutos previstos pelo novo Programa (7425 - 7350) então sobram apenas 75 minutos para a apresentação, realização de testes de avaliação, correção dos testes de avaliação, preparação para os testes, autoavaliação, …

E isto se nem professor nem aluno faltarem um único minuto, cumprindo cabalmente o calendário!
Forçosamente, teremos que apelar à imaginação para dar a volta a estas contas, para o bem da matemática!

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