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E se na sua biblioteca fosse atendido por um robô?

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E se na sua biblioteca fosse atendido por um robô?

Voz às Bibliotecas

2024-02-22 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Avançamos em comunhão com as tecnologias de informação e de comunicação que nos têm ajudado a aumentar a velocidade de comunicação de dados, permitindo-nos assim uma atualização do que acontece ao nosso redor, ao minuto. Para quem está com um telemóvel e Internet à mão, sente-se mais informado e seguro no seu caminho. Sabemos que é preciso criar filtros e uma consciência crítica do que lemos e ouvimos. Naturalmente para que tal é necessário que todos desenvolvam as competências básicas de manuseio da informação, das suas fontes, do equipamento e dos diferentes softwares, APP disponíveis, nas diferentes funcionalidades, a fim de tirar o maior partido da riqueza e diversidade de dados. Crescem as plataformas com serviços públicos e privados que facilitam muito a localização e obtenção de documentos de obrigação, a marcação de consultas médicas, …, um ganho efetivo para os cidadãos com mais competências digitais. Contudo, não podemos excluir e desproteger quem ainda não as domina.
Nas bibliotecas públicas “tradicionais”, assiste-se a uma maior agregação de serviços digitais prestados online, tais como: o acesso ao catálogo, criação de listagens bibliográficas, reservas de livros online, renovação de empréstimos domiciliários, atendimento online com chats de conversação, digitalização de documentos a pedido, reuniões online, videoconferências e webinars, cursos online, streaming de eventos para redes sociais. A aquisição de livros digitais e de livros eletrónicos enriquecidos com eReaders para os acervos documentais de biblioteca e o uso de plataformas de leitura digital online têm crescido de forma muito lenta em Portugal. São disponibilizadas também subscrições digitais de revistas e jornais portugueses e internacionais, assim como plataformas que congregam centenas de títulos desta tipologia de documentos. Bibliotecas digitais vão sendo construídas e disponibilizadas em livre acesso, a nível local e intermunicipal, veja-se por exemplo a AQUALIBRI – biblioteca digital do Cávado. O mundo avança no digital. Estamos expectantes pela disponibilização de uma nova plataforma nacional de livros eletrónicos, prevista pelo Ministério da Cultura, Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas para 2024/2025, com o apoio do PRR - Plano de Recuperação e Resiliência. Prevê-se a utilização gratuita para as Bibliotecas Públicas Municipais para 3 anos.
Muitos repositórios institucionais com produção científica de universidades têm sido disponibilizados em acesso aberto à comunidade, o que tem beneficiado em muito estudantes, investigadores e docentes no seu processo de formação académica. Universidades disponibilizam recursos digitais de qualidade superior. Destaca-se a nível nacional o repositório dos repositórios académicos designado por RCAAP - Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (https://www.rcaap.pt/ ), gerido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, com a colaboração de várias universidades, dentre elas a Universidade do Minho.
A chegada de serviços que usam robôs com Inteligência Artificial (IA) não é um cenário dos dias de hoje (computadores + dados + processamento), pese embora a expressão IA assumir mais destaque na comunicação devido ao aparecimento do ChatGTP. A IA tem vindo a ser usada para auxiliar no fornecimento de respostas mais eficazes, com pesquisa em bases com dados infinitos e produção automática de textos. O uso mais massivo da IA em diferentes dimensões, provocará alterações na missão e objetivos operacionais das bibliotecas públicas. Para além destas organizações terem por missão preservar o património documental impresso, mediar o processo de pesquisa e produção de informação, disponibilizar o acesso à Internet gratuitamente para quem mais precisar, oferecer uma sala da gamificação e desenvolvimento de competências em diferentes áreas do saber-fazer com serviços educativos e culturais, espaços para coworking com uso gratuito para a população, as bibliotecas e suas equipas terão de aprofundar mais competências na avaliação da qualidade de softwares, formas de processamento e criação de textos produzidos pela IA. Sabemos que a IA é uma construção do Homem-Computador e que está para ficar entre nós nas próximas décadas. Muito gradualmente manifestar-se-á no circuito das bibliotecas e profissionais de informação. Será um grande desafio a sua incorporação no desenho dos serviços, assim como saber qual será o papel de cada instituição biblioteca (pública, universitária, escolar) neste novo cenário, onde a interação dos indivíduos com as instituições terá necessariamente de ser recriada e inovada com o avanço da IA.
Vermos robôs no atendimento de bibliotecas já esteve mais longe. Cremos que só não avançaram mais devido aos custos massivos da sua produção e aquisição. Mas tudo avança rápido. Deixamos duas questões básicas ao leitor. Quererão os Humanos ser atendidos por Robôs nos serviços de atendimento público, quando mais perdidos na procura de informação? Os robôs poderão atender com a necessária “fineza” assertiva e empática um leitor? Gerir as irritações emocionais do leitor?
Por mais que as tecnologias nos sejam úteis e cómodas, não devemos descurar as aprendizagens enciclopédicas e o saber-fazer, desenvolvendo o nosso pensamento crítico e criativo nas leituras que fazemos e nos textos que produzimos, orais, escritos e gráficos. Deveremos respeitar e citar sempre as fontes primárias, os autores e as suas criações literárias ou não literárias. IA sim, mas com moderação e muita ética.

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