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Economia circular

O impacto da pandemia no mercado imobiliário

Ideias

2015-12-10 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

A forma e a velocidade com que nos últimos 100 anos temos consumido recursos naturais são hoje reconhecidamente insustentáveis e não podem prosseguir, sob pena de se atingir uma situação de ruptura sem retorno possível.
Consumimos mais recursos do que aqueles que o planeta consegue produzir numa economia de tendência linear, dominada pelo modelo “extrair-transformar/fabricar-consumir-deitar fora”, em que o ciclo produtivo consiste na extracção das matérias-primas, depois ocorre o seu processamento em produtos que, após vendidos e utilizados, são descartados como resíduos inutilizáveis.

É verdade que este modelo, em fim de ciclo, foi até certa altura bem sucedido, porque permitiu inundar os mercados com produtos em larga escala, respondendo com a maior celeridade aos crescentes e elevados níveis de procura e beneficiando de sistemas a nível mundial de distribuição e cadeias de abastecimento assentes em tecnologias de produção extremamente desen- volvidas.
Mas este modelo está esgotado.

Devido aos recursos naturais exíguos e cada vez mais escassos para responder às maiores necessidades da população e do Planeta, face aos graves danos ambientais e à produção de resíduos em excesso, tornou-se uma obrigação - porque se trata de facto de “uma questão de vida ou morte” - eliminar um padrão de desenvolvimento assente no conceito comodista e destruidor “usa e deita fora”.

Em vez de sermos rebocados pelo inevitável, é desejável acelerarmos o processo para uma plena adesão à economia circular, onde podemos beneficiar de novas vantagens de um modelo de desenvolvimento em que tudo pode ser reutilizado e recuperar valor.

Neste âmbito, a utilização de recursos e a produção de resíduos reduzem-se ao mínimo, o valor dos produtos e materiais é mantido no máximo de tempo possível e os produtos em final de vida útil são transformados em novos recursos, voltando a gerar valor.

A investigação e a inovação assumem neste processo um papel decisivo, a começar desde logo pela concepção dos produtos e tipo de materiais a usar. A exigência da reparabilidade é crucial. Por experiência própria, todos sabemos que em muitos produtos fica mais barato deitar fora e comprar de novo do que reparar ou até mesmo investir na manutenção!

A prevenção dos resíduos, eficiência, redução, reutilização, reparação e reciclagem são conceitos a implementar e que podem trazer às empresas da UE poupanças líquidas de 600 mil milhões de euros, ou seja, 8% do total do seu volume de negócios anual, e simultaneamente uma redução de 2% a 4% das emissões totais anuais de gases com efeito de estufa.

Cada um de nós, os governos, as autoridades locais e regionais, todos somos importantes e temos um papel relevante na concretização de uma economia circular. A transformação dos resíduos em recursos é crucial para aumentar a eficiência dos recursos e fechar o ciclo numa economia circular.

Acontece que apenas cerca de 40% dos resíduos produzidos pelos agregados familiares da UE são reciclados, variando as taxas de reciclagem entre 80% em algumas regiões e menos de 5% noutras. Há que aumentar a reciclagem e reduzir a deposição de resíduos em aterros, a par de propostas concretas para melhorar a gestão de resíduos, nomeadamente em áreas sensíveis do mercado como plásticos, resíduos alimentares, matérias-primas críticas, produtos de base biológica, construção e demolição entre outros.

Neste âmbito, a Comissão vai propor legislação para:
- até 2030, se reciclarem 65% dos resíduos urbanos;
- até 2030, se reciclarem 75% dos resíduos de embalagens;
- até 2030, se reduzir a deposição em aterros para um máximo de 10% de todos os resíduos;
- intensificar o seu trabalho com os Estados-Membros no sentido de melhorar a gestão dos resíduos no terreno;
- simplificar e aperfeiçoar as definições de resíduos e harmonizar os métodos de cálculo.
Para além do reforço da legislação, é essencial o seu cumprimento e o reforço de meios de fiscalização.

No fundo, defende-se uma utilização sustentável e inteligente dos recursos naturais, de molde a não só não os exaurir como também a promover quatro grandes objectivos para as próximas décadas:
- reforçar a competitividade da UE nível mundial;
- promover o crescimento económico sustentável;
- criar emprego;
- defender o meio ambiente.

Tendo como base a realidade de que a “economia circular” está na “Agenda da Estratégia Europa 2020”, espera-se a criação de dois milhões de postos de trabalho, a par de um aumento da produtividade dos recursos em cerca de 30%, a contribuição para a redução nas emissões de CO2 e para uma poupança substancial em termos de energia e água.
A “economia circular” significará, por isso, mais emprego, melhor defesa do ambiente, acrescida protecção dos recursos naturais, crescimento económico e reforço da competitividade.
É um objectivo que vale a pena!

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