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Economia Circular

Cimeira da Acção Climática: “ainda não é tarde”...

Escreve quem sabe

2017-12-30 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

A Economia Circular (EC) é um conceito estratégico que assenta na prevenção, redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais, assim como de energia. Enquanto a “economia linear”, a que estávamos anteriormente habituados, referia o “fim de vida” esta economia substitui-o por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, num processo integrado. Assim, a EC é vista como um elemento-chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, relação tradicionalmente vista como inexorável.

Baseando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, a economia circular a) promove uma reorganização do modelo económico, através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados; b) é um processo dinâmico que exige compatibilidade técnica e económica mas que também requer enquadramento social e institucional; c) ultrapassa o âmbito e foco restrito das ações de gestão de resíduos, como a reciclagem, visando uma ação mais ampla, desde o redefinição de processos, produtos e novos modelos de negócio até à otimização da utilização de recursos - «circulando» o mais eficientemente possível produtos, componentes e materiais nos ciclos técnicos e/ou biológicos.

Procura-se, assim, o desenvolvimento de novos produtos e serviços economicamente viáveis e ecologicamente eficientes, radicados em ciclos idealmente perpétuos de reconversão, tanto a montante como a jusante. Os resultados são a minimização da extração de recursos, maximização da reutilização, aumento da eficiência energética e desenvolvimento de novos modelos de negócio.

Os princípios de economia circular são definidos como:
- Conceber produtos, serviços e modelos de negócio que previnam a produção de resíduos e poluição do sistema natural;
- Manter produtos e materiais em utilização, no seu valor económico e utilidade mais elevados, pelo máximo tempo possível;
- Fomentar a regeneração dos recursos materiais utilizados e dos sistemas naturais subjacentes.
As Estratégias da Economia Circular:
- Conceção/design - com o desenho de produtos e serviços projetados para vários ciclos de vida, economicamente viáveis e ecologicamente eficientes. Desenho ou redesenho de produtos de conceção mais duradoura e utilizando menos recursos.
- Produção - com a adoção de processos de produção mais limpa, limitando a utilização de substâncias tóxicas, promovendo a eficiência energética e de materiais e identificando novas utilizações para subprodutos.
- Distribuição - no desenvolvimento de formas de distribuição conjunta, isto é, organização de serviços de logística para partilha de redes de distribuição, escolhas mais sustentáveis de modos de transporte, bem como preocupações com a utilização de materiais recicláveis e redução do sobre-embalamento.
- Consumo/Utilização - melhoria da eficiência energética, maximização da vida útil do produto e otimização da reparação e reutilização.
- “Reentrada” no ciclo- dinamização de redes de retoma, reuso, remanufactura ou reciclagem. Foco no upcycling (“reutilização criativa”, processo de reconversão de resíduos em novos materiais ou produtos de maior valor acrescentado) ou no downcycling (processo de reconversão de resíduos em novos materiais ou produtos de menor qualidade/funcionalidade reduzida).

Atualmente, não existem indicadores designados para a medição da circularidade de uma economia. No entanto, é possível traçar um perfil do metabolismo da economia - como evolui na extração, produtividade no uso, desempenho em reciclagem e emissões/efluentes.

O metabolismo de Portugal é lento, ou seja, é uma economia tendencialmente cumulativa em materiais: extrai e importa mais matérias-primas do que exporta produto acabado, acumulando materiais em stock, p. ex. edifícios, infraestruturas. Há, portanto, espaço para progredirmos!

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