Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Educar para o otimismo

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2014-04-22 às 06h00

Cristina Palhares

Um livro excelente de Helena Marujo, Luís Miguel Neto e Fátima Perloiro, integrado no estudo das ciências sociais e humanas, uma vez reconhecida a importância da inteligência emocional. Sendo uma filosofia de vida que influencia a forma como avaliamos os acontecimentos, ela é também educável: não com normas, não por regras, mas na inspiração que transmitimos aos nossos alunos e filhos.

Como educadores, conscientes do impacto da nossa “profissão” no desenvolvimento das gerações futuras, temos o dever de inspirar-lhes uma visão otimista da vida baseada na consciência de que mais importante do que aquilo que nos acontece é a forma como lidamos com isso. Promover uma atitude positiva e otimista é um dos grandes desfios dos educadores. Não é tarefa fácil, fruto de muitos séculos e séculos de uma filosofia essencialmente europeia em que o otimismo era considerado algo negativo. As pessoas otimistas sempre foram consideradas ingénuas ou ignorantes.

Hoje, com o pontapé de partida de Goleman e do desenvolvimento da inteligência emocional, podemos dizer que o otimismo é uma filosofia de vida que influencia a forma como avaliamos os acontecimentos. “Otimismo é uma atitude que protege as pessoas de se deixarem cair em apatia, desespero ou depressão perante dificuldade” (Goleman). Não é inato e por isso é educável. Não existem otimistas ou pessimistas de nascença, somos formados por uma educação e cultura. Então, onde podemos atuar? Na educação e na cultura, precisamente.

A partir do momento em que a comunidade científica percebeu a importância de uma atitude que permite transformar a nossa vida de uma forma quase imediata, os sentimentos que estão associados ao otimismo têm ganho terreno dentro do campo da psicologia e da neurociência. Mesmo os racionalistas mais céticos já se aperceberam de que a qualidade de vida depende em grande parte do modo como encaramos a realidade. Ou seja, a forma como interpretamos os acontecimentos determina o nosso comportamento e as nossas ações. E condiciona o nosso futuro.

“A pessoa otimista olha para o insucesso como uma consequência de algo que pode mudar de forma a vencer a etapa seguinte, enquanto a pessoa pessimista aceita a culpa do fracasso atribuindo-a a uma caraterística inata que não pode mudar“ (Seligman).
O livro ‘Educar para o otimismo’ chama a atenção para o facto de o otimismo ser, antes de mais, uma escolha pessoal que possibilita alterar a cultura em que vivemos, através de mudanças tão simples como a própria linguagem e o treino do olhar sobre a vida. Linguagem e treino: duas palavras a que os educadores tão bem se habituaram.

“Um dos principais objetivos na formação para o otimismo, tem sido levar as pessoas a fazerem um processo de auto-educação, lembrando-lhes que todos somos modelos para os outros. Ou seja, temos a obrigação moral de construir uma cultura otimista, já que se provaram os seus benefícios em termos de saúde física e mental e, ainda, de maior felicidade” explica Helena Marujo.

Perante a questão de saber se a nossa atitude otimista ou pessimista influencia a realidade, Helena Marujo acredita que grande parte da realidade é construída por nós. Estudos muito interessantes nesta área demonstram que existem benefícios claros em termos de expetativas po- sitivas, a não ser em situações de risco em que é necessário algum bom senso. Aliás, está estudado que os otimistas têm uma avaliação muito cuidada dos fatores negativos interferentes em qualquer tomada de decisão, ou seja, nunca negligenciam a informação negativa.
Todos os dias entram nas nossas casas através dos meios de comunicação social notícias depressivas e bombásticas que influenciam as nossas vidas.

Os bons não fazem história nem atraem audiência. Sabendo que um estado depressivo influencia negativamente a qualidade de vida, é urgente mudar a nossa atitude pessimista e começar a atribuir mais valor a uma perspetiva otimista desde os primeiros anos da vida de uma criança. E é esta visão que também vem de encontro direto à descoberta e aceitação de alunos talentosos, sempre negligenciados. Com uma visão positiva e otimista sobre os nossos alunos e filhos teremos uma possibilidade muito superior de descobrir e valorizar os seus talentos.

Ajudar a facilitar um crescimento confiante não é uma tarefa fácil quando os próprios educadores vivem na desilusão. Se não estivermos bem, se não tivermos uma visão positiva da vida, como podemos nós transmitir bem-estar e otimismo àqueles que nos rodeiam, como podemos transmitir uma mensagem positiva da vida para que as crianças acreditem que é bom crescer?

Só podemos dar aquilo que temos. E desenvolver uma atitude positiva é o primeiro passo para tornar este mundo um lugar muito melhor para os nossos alunos e filhos.
A vida é bela? Sim, se assim o quisermos.

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