Correio do Minho

Braga, terça-feira

Egos emocionais e Egos racionais

Diciembre, Decembro, Abendua... e Desembre?

Escreve quem sabe

2015-12-06 às 06h00

Joana Silva

Ser pessoa, é relacionar. É estar emocionalmente envolvido.
A vida é um percurso de aprendizagens que se firmam em memórias. Uma vida perfeita não há quem a tenha, mesmo para aqueles que afirmam “Eu nunca precisei de ninguém”. Saiba que quem afirma tal, está a enganar-se a si próprio. Ninguém vive na solidão e é sobretudo nos momentos mais difíceis do percurso vivencial que tendemos a procurar apoio emocional. O envolvimento emocional, no entanto, pode ser díspar de pessoa para pessoa consoante a introspeção de gratidão considerando que as pessoas “sentem” de formas diferentes, isto é “Aquilo que pode ser importante para determinada pessoa pode ser não importante para outra”.

Quer-se com isto dizer que, nos maus momentos é difícil esquecer quem nos ajuda sobretudo nos momentos mais cíclicos da vida, como a perda de um emprego, a morte de um familiar, um divórcio etc. Perante os “acasos da vida” há quem sinta que “por mais que faça” o agradecimento nunca será o suficiente, por outro lado, há quem preste auxilio emocional incondicional a todos que o procuram, todavia na “hora H” quando precisa não encontra ninguém.

Por conseguinte, nestes momentos legitimamente se questionam com “porquês” ao mesmo tempo que se sofrem e ficam tristes, pois não se sentem “merecedores” de tal situação. A sociedade, infelizmente, caminha a passos largos para constructos de Egos “Primeiro lugar Eu, segundo e terceiro lugar também Eu” e penaliza todos aqueles que tem empatia e se dedicam aos outros. Há quem pense que sentimentos são como objetos descartáveis que se podem dispor a qualquer hora.

Observe à sua volta e verifique por exemplo, que as pessoas estão mais preocupadas em debitar os seus problemas e frequentemente num mero dialogo transpõem o que deveria ser normal “Olá. Tudo bem? Como tens passado?”, é portanto adulterado por “Não sabes o que me aconteceu… (caminha assim a conversa numa espécie de registo monólogo)”. Externalizar os problemas é saudável tanto à “alma” como a mente, no entanto, convém perceber que a amizade ou o vínculo emocional subjacente deve ser reciproco de igual para igual.

Posto isto, é normal que todos aqueles que “dão” muito de si aos outros se sintam verdadeiras “marionetas” e considerem que as pessoas se aproveitam dos mesmos. O vínculo relacional fica assim ilustrado em forma de prazer - sofrimento. Dedicação aos outros não implica descurar de si. Em algumas situações é necessário “tirar a prova dos nove”. Em que sentido?! Por exemplo, ter uma atitude mais racional, objetiva e egocentrista a quando à solicitação de algo. Sobretudo os egocêntricos pela personalidade que tem, sabem identificar claramente as “entrelinhas” de um gesto por parte de outrem que lhes desagrada.

Mas é justamente nestas situações que consegue identificar onde está o vínculo relacional e emocional verdadeiro pois aqueles que o “aceitam tal como é” serão conscienciosos ao ponto de refletir/perceber que é um ser humano com sentimentos e com problemas. “Uma mão que segure e um coração que compreenda” não deve nunca estar ao alcance exclusivamente de uns, mas sim de todos!

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

11 Dezembro 2018

O conceito de Natal

10 Dezembro 2018

Como sonhar um negócio

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.