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Eis um livro novo

Bernardo Reis: um nome para a história de Braga

Eis um livro novo

Voz aos Escritores

2024-01-19 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Que emoção! Receber assim, um livro novo, esperado. Tão esperado, talvez a vida todo à espera por aquele livro específico, tão fresco, a estrear olhos e ouvidos, paladares mais apurados e olfactos não menos saudosos.
Aquele livro tão inesperado por todas as voltas e reviravoltas, imprevisível no rumo da sua trama, no desenrolar da sua acção. Nas personagens que vão adicionar desenrolares mais humanos, mais amparados. Mas também nas que irão cair como a poeira pelo caminho por força do seu desinteresse e inutilidade para o horizonte que se perspectiva. Que se almeja.
Aquele livro de capa dura, resistente sob as intempéries espectáveis ao longo de um ano de manuseamento, mais ou menos consciente. As folhas a exalarem aquela mistura viciante de papel, tinta e cola, um doce amadeirado trabalhado para que possa receber a labuta de mentes efervescentes.
As mãos que recebem com agrado e desvelo, a ansiedade a antecipar em exercícios funestos de futurologia vontades em estio. O pousio, enfim, que o momento inaugural merece: o levantar da capa, o vislumbre da primeira folha. Hoje, finalmente, poderemos falar já de dezanove entradas ainda frescas neste novo livro a estrear, mas não queria que o leitor pensasse num diário, com registos obrigatórios e, inevitavelmente, aborrecidos ou previsíveis.
É um livro, sim, novinho a estrear ou recém-acrescentado, mas sem IVA. Já que é para criar à medida da ilusão ou vontade de cada um, a minha é sem impostos desnecessários. Com cada folha amadurecida pelo empenho em levar a sério cada demanda, cada palavra em tinta sentida entre nós de razão, sem esquecer o afecto, a empatia, o entusiasmo, o encantamento. A esperança e a bondade, sempre a bondade a pontuar entre as agudas e as graves, nessa melodia equilibrada à revelia dos recursos de estilo, tão imperativos da sua importância, como se a magia da descoberta de se poder dizer assim não fosse possível sem pó de canela. E se calhar não será mesmo, que há temperos assim, únicos e inconfundíveis.
Como este ano. Perdão, como este livro que agora começou, com tinta fresca e papel pólen ou papel couché, depende dos gostos. E dos propósitos. Cá para mim até pode ter colagens, especialmente de fotografias ou postais de colinas distantes, para aumento da amplitude do horizonte que os olhos espelham tão bem em brilhos. E em reflexos.
O anuncio de toda uma nova volta, muitos círculos e ziguezagues, para não se tontear, as estações a repetirem-se para o aconchego do que é eterno, e as pessoas a serem mais pessoas, a crescerem já, pelo menos na esperança com que se agarram a esta mudança feita inauguração de um tempo que é sempre novo, a estrear. Como se a cada ano pudessem recomeçar, com erros diferentes, mas não aqueles, com vontades férreas, com sumo de limão, para desengordurar as vistas e os interiores.
Algo assim, tão novo e imaculado, ainda, é um sopro de promessas num vale de intenções.
Bom livro para todos.

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