Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Eleições europeias: dia 25 de Maio vamos todos votar

Sinais de pontuação

Ideias

2014-05-09 às 06h00

Paulo Monteiro

A União Europeia vai a votos entre 22 a 25 de Maio para eleger os 751 assentos no Parlamento Europeu até 2019 e, igualmente, o sucessor de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia.
A pré-campanha eleitoral em Portugal (onde mais de 9,7 milhões de eleitores vão às urnas no dia 25 de Maio para eleger 21 deputados portugueses) já começou e onde concorrem 16 listas.

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas há cinco anos, a 7 de Junho de 2009, a abstenção foi a mais elevada de sempre no nosso país com 63,22% de portugueses a não votarem, quando a média europeia foi de 43%.

Ora, diga-se em abono da verdade, estes números envergonham qualquer um e não podem significar que os eleitores não querem nada com a Europa. O não votar não significa estar contra, ou a favor. O não votar não significa desinteresse. O não votar pode ter um sem número de explicações...

Mas o que mais importa é alterar estes números no próximo dia 25 de Maio e votar nas eleições europeias. É importante todos votarem porque cada voto é uma voz (a nossa) na Europa.
Antes importa dizer que sou um europeista convicto e de que a Europa é, no meu ponto de vista, importante para Portugal. Mas isso não significa que tudo o que a Europa tem feito tem sido bem feito. Tem feito coisas boas e tem feito coisas más. Tem feito coisas positivas e outras negativas. Mas, acima de tudo, está a importância da Europa, desta União Europeia que foi fundada tendo como principal objectivo a PAZ...

Mas a Europa é importante para Portugal como Portugal é importante para a Europa. Como é importante o nosso voto no próximo dia 25 de Maio. Um voto onde podemos estar de acordo com esta ou aquela política. Um voto onde podemos dizer sim à Europa nestes ou em outros moldes, com outras políticas, mas nunca chegar aos extremismos. Digo bem, extremismos, que podem levar a uma Europa ingovernável e isso nós, certamente, não queremos. O que queremos é construir uma Europa mais justa, ainda mais social e amiga de todos...

Não queremos uma Europa cheia de fronteiras, com Portugal e os outros completamente isolados... A união faz a força. Sempre foi assim e sempre assim será. É por isso que é preciso uma Europa forte, coesa e a ajudar tudo e todos... Por isso o nosso voto é também importante para não deixar subir os partidos extremistas na Europa.

O patriarca de Lisboa, muito recentemente mostrou receio e apreensão pelos resultados das próximas eleições europeias. Em França e noutros países as eleições europeias foram um grande sucesso para os partidos extremistas e de tendência xenófoba. D. Manuel Clemente teme que aconteça o mesmo em Portugal: “vamos lá ver as europeias em relação à ascensão xenófoba, ao estrangeiro que se rejeita, o racismo, os emigrantes, em relação às populações mais ou menos nómadas, que efectivamente levantam problemas, mas são pessoas. É complexo, é grave e tenho receio”.

O certo é que na Europa a insatisfação por algumas política europeias podem levar ao aumento dos partidos extremistas por algum (ou muito) populismo que estão a granjear. E uma abstenção muito elevada só favorece estes partidos. Por isso, cada um dos nossos votos, é muito importante.
Estejamos, ou não, de acordo com as políticas europeias, o certo é que num balanço desde a nossa entrada na UE até hoje, só temos a ganhar. O que seria de Portugal, em democracia, nos últimos 40 anos, sem a Europa? Certamente muito diferente... para pior.

Portugal evoluiu muito. Sem o apoio da União Europeia não tínhamos possibilidades de construir tantas estradas, tantas autoestradas, tantas escolas, juntas de freguesias, câmaras, milhares de novas infraestruturas, saneamento e esgotos, ou mesmo os simples cursos de formação... e por aí fora!

Agora se foi boa aposta construir duas autoestradas Porto-Lisboa, ou escolas de milhões, isso já não são as directrizes da UE mas sim dos sucessivos governos centrais de Portugal. Mas aqui teríamos muito para falar... e não é isso que eu quero hoje.

O importante agora é o futuro. É importante saber que Portugal garantiu até 2020 cerca de 11 milhões de euros por dia e que existem ainda orçamentos geridos centralmente pela Comissão Europeia que poderão e deverão ser aproveitados. Há muitos exemplos, entre eles na investigação com 80 mil milhões de euros ou o programa Cosme, virado para as empresas com cerca de 1300 mil milhões de euros. Para termos uma noção da ajuda a Portugal, por cada 100 euros de investimento no nosso país, cerca de 1,36 euros é do orçamento nacional, o restante vem dos nossos parceiros europeus. Só a França e a Alemanha (de que muitos dizem mal) são responsáveis por cerca de 37% do orçamento da UE e no que toca a garantias esses mesmos estados são garante de 50% da nossa dívida.

Não nos podemos esquecer que é na União Europeia onde se produz a maior riqueza mundial (PIB) e que somos apenas 7,1% da população mundial (pouco mais de 500 milhões de cidadãos) e que somos ainda responsáveis por 50% das despesas sociais em todo o mundo. E que um dos grandes objectivos até 2020, por exemplo, é aumentar para 75% a taxa de emprego na faixa etária dos 20-64 anos. Neste sentido, através do Emprego Jovem com um orçamento de 6000 milhões de euros que estavam previstos até 2020, estas verbas foram antecipadas para 2014 e 2015.

É certo que nem tudo está bem na Europa. É certo que nem todos temos a mesma opinião, mas achamos que a grande maioria de nós está de acordo de que a Europa é importante para nós e que nós somos importantes para a Europa.

Por isso é que é decisivo o nosso voto, a nossa voz, no próximo dia 25 de Maio. Não se esqueça, VOTE. Não fique em casa!

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