Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Eleições Europeias

Da falta que as tentações nos fazem

Ideias Políticas

2014-05-27 às 06h00

Francisco Mota

O resultado das Eleições Europeias trouxeram consigo as euforias socialistas, estado de espírito que os próprios resultados não permitem que se tenham. Em jeito de análise constatamos que numericamente o PS ganhou as eleições e a Aliança Portugal as perdeu.

A vitória do PS, longe de confortável, mesmo que a conjuntura fosse favorável, foi curta e, se foi levado a sério o apelo dos seus protagonistas para esta ser uma primeira volta das legislativas, devendo traduzir uma derrota catastrófica aos partidos do governo, também não deixa de ser menos verdade que o objectivo saiu-lhes furado e vão precisar de trabalhar arduamente e com muita responsabilidade para terem um bom resultado lá para finais de 2015, porque ai sim discute-se as eleições legislativas.

A abordagem de António José Seguro aos resultados foi precipitada, irresponsável e sedenta de poder a todo o custo. Se não vejamos, nas mesmas eleições em Junho de 2009 o PSD de Paulo Rangel e o CDS-PP de Nuno Melo ganharam as Europeias com cerca de 40% dos votos (mais que o PS teve nestas últimas) nessas eleições o PS de Sócrates obteve 26.6% (menos que o resultado da AP nestas últimas).
A diferença em Junho de 2009 entre os dois partidos de direita e o PS foi de quase 14%. Mesmo assim Sócrates não se demitiu e em 4 meses deu a volta e em Setembro de 2009 ganhou as eleições a Ferreira Leite.

No passado domingo o PS e AP ficaram separados apenas por 3,7% e os socialistas elegeram apenas mais um eurodeputado.
Com tudo isto ainda temos acrescentar que dois terços da população simplesmente não votaram colocando abstenção acima dos 66%.
Com estes dados como é que o Partido Socialista é capaz de proferir um discurso de vitória estrondosa?

Como consegue afirmar que o povo português os quer a liderar o país quando as eleições eram para o parlamento europeu?
Como consegue Seguro dirigir-se ao Presidente da República e pedir-lhe consequências políticas destes números quando o próprio PS perdeu 5% dos votos de uma eleição para a outra?
Como é que um partido do arco da governabilidade é capaz de atitudes extremistas anunciando uma moção de censura ao governo?

Creio que as respostas são fáceis e as conclusões não deixam qualquer dúvida, António José Seguro certamente preparou o discurso não para os resultados que confirmamos mas sim para os resulta- dos que em campanha ele próprio anunciou.

Mas por mais que lhe custe o que conta são os oficiais. Por outro lado o líder socialista já demostrou ao que veio, a qualquer custo quer chegar ao poder, mas ainda assim eu confio no poder de decisão do povo português e não no poder teatral do secretário-geral socialista.
Não poderia deixar de afirmar que do ponto de vista político ninguém ganhou estas eleições. Não ganharam os partidos, não ganharam os portugueses, não ganhou Portugal; mas por outro lado não tenho dúvidas de quem perdeu, o projecto Europeu.

O afastamento das pessoas da política merece uma reflexão e reformulação urgente da política e dos políticos no panorama nacional e europeu.
Para mim é inaceitável que se grite vitória quando temos mais de dois terços da população a não votar e que ainda assim se use um discurso infundado e populista.

Por último uma palavra para a nossa região do Minho na Europa. Não fosse a Aliança Portugal com Nuno Melo e José Manuel Fernandes e este território estaria dado ao abandono no parlamento europeu.
Um Obrigado aos Minhotos pelo voto de confiança e votos de mais um excelente mandato Pelo Minho e Por Portugal.

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