Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Eleições Europeias

Regionalização e representação territorial

Ideias

2014-05-30 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Já quase tudo foi dito sobre as eleições europeias. Em termos gerais pode dizer-se que as forças políticas que ocupam tradicionalmente o poder (conservadores e sociais-democratas) tendem a perder a sua importância em detrimento da fragmentação partidária à esquerda e à direita. E neste ponto ganham relevo as votações em partidos de extrema-direita e extrema-esquerda. A Europa está quase ingovernável, constituindo um verdadeiro pântano político.
Em Portugal, os partidos de direita sofreram uma grande derrota com uma votação somada inferior a 30%. Em termos políticos perderam a legitimidade que impede qualquer decisão política de fundo. Só lhes resta recorrer ao pão e circo, de modo a recuperar nas eleições de 2015.
Mas com 32%, o partido socialista não se afirmou como força alternativa. Como referiu Mário Soares, o homem é uma galinha, não voa. O problema não é tanto do Secretário- Geral , mas da comissão política que francamente é muito má. A. José Seguro pretendeu desmarcar-se de Sócrates, recorrendo a ex-assessores de António Guterres, mas o resultado foi muito mau para ser verdade. Não existe uma ideia nova; não existe um estudo sério de políticas alternativas às do governo; o gabinete de estudos está moribundo. Para além dumas poucas ideias gerais, qual a agenda política do PS? Pelo que a liderança tem que ser discutida contra aqueles que pretendem estas águas mornas. É necessário que o partido assuma aquilo que Sócrates tem de positivo; é necessário que estude alternativas de políticas e respectivo impacto. Neste sentido o avanço de António Costa é de louvar, já que três anos não foram suficientes para se distanciar dos partidos que destruíram Portugal.
O Bloco de Esquerda arrasta-se penosamente desde a votação do PEC lV e saída de Louçã. Em contrapartida , o PC sobe, já que apresenta um discurso simples e consistente. E à medida que a crise se acentuar tenderá a crescer.
E agora uma referência ao Dr. Marinho Pinto. Não sendo um homem de direita, nem exactamente um anti europeu, coloca-se numa lógica anti partidarismo. O seu sucesso demonstra que os atuais partidos já não representam o país. E isto é perigoso porque os partidos são absolutamente necessários numa democracia representativa. Eles aglutinam e agregam interesses e aspirações, transportam-nos à agenda política e convertem-nos em políticas. Sem eles é a democracia direta, impossível nas sociedades modernas, ou o populismo. E a Europa ou muda ou ameaça recrear o ambiente que deu origem ao nazismo e fascismo e antecedeu a segunda guerra. A abstenção de mais de dois terços e o grande número de votos nulos e em branco demonstram de forma clara que os portugueses não se revêm neste sistema político.

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