Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Eles leram Maquiavel

Segunda mão

Ideias

2015-10-02 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Nicolau Maquiavel viveu no século XVl, tendo escrito um livro, denominado ‘O Príncipe’ que é considerado o primeiro manual de Ciência Política. Partindo da vida de César Bórgia, filho bastardo do Papa Alexandre Vl, desenvolveu uma gramática de como conquistar e manter o poder. A Maquiavel não interessam considerações éticas. Deste axioma retira um princípio geral: “em política deve praticar-se o bem quando possível, mas fazer o mal quando necessário.” Para Bertrand Russel, “O Príncipe não é um manual para estadistas, mas sim um guia para gangsters políticos”.

Mas voltando à análise de ‘O Príncipe’, o príncipe só conseguirá manter-se no poder à custa duma virtude pouco comum que consiste ao mesmo tempo na brutalidade e no calculismo, estranha a qualquer preocupação ética vulgar, esforçando-se por aumentar o seu poder (ser reeleito), indo até à mentira se tanto for necessário. Mas o príncipe deve preocupar-se com a sua reputação e portanto reconhece o poder da opinião pública. A hipocrisia torna-se, pois, um imperativo para o príncipe.
A política consiste numa mistura de mentira e de simulação, segundo as circunstâncias e conforme a natureza das questões, uma vez que “apenas o resultado conta”. Se o príncipe conservar o poder e o controlo do Estado, “todos os meios que empregar serão justos”.

Esta teoria política veste bem a coligação, não é verdade? O governo passou uma esponja nas políticas que nos impôs durante quatro anos, prometendo o céu para os próximos quatro. E embora o FMI, conforme relata o Observador “não goste das amabilidades e promessas da coligação, já que queria uma linha dura da austeridade mais claramente definida na ação governativa”. Mas não se preocupa muito, porque se a coligação ganhar as eleições o ambiente de bodo aos pobres muda logo a seguir e os relatórios do FMI vão tornar a ser lidos e aplicados com zelo.

Eis a opinião do FMI sobre os atuais governantes deste país: fiéis cumpridores e executantes das diretivas do FMI. O que verdadeiramente choca neste governo é a subserviência e a mentira.
Ao contrário, o Partido Socialista divulgou um programa económico de governo que assume um paradigma neoclássico e as restrições do tratado orçamental, apresenta alternativas e uma hierarquia de políticas, priorizando os aspetos sociais. Mas não soube converter o programa em propostas políticas. É caso para dizer, parafraseando o debate eleitoral para as presidenciais americanas: é a política, não a economia.

Mas é chocante como é que este governo pode vir a continuar a governar este país. É que este país não mudou tanto assim; é um país de gente com medo, amedrontado e resignado. Neste contexto é fácil a coligação subir nas sondagens, enquanto o PS não tem sabido fazer o trabalho de casa.

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