Correio do Minho

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Eles que se entendam

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Ideias Políticas

2017-01-24 às 06h00

Hugo Soares

A cada dia que passa, os Portugueses vão percebendo melhor não o primeiro-ministro que escolheram mas o primeiro-ministro que lhes saiu na rifa. E porquê? Porque a cada dia que passa, se acentua mais o traço de leviandade e de irresponsabilidade que tem marcado a governação de António Costa. Ainda o País não estava refeito da vergonhosa atuação do governo na forma como lidou (e continua a lidar) com o dossiê da Caixa Geral de Depósitos, e já se vê envolvido em nova trapalhada governamental. Se está a pensar no folhetim da Taxa Social Única, acertou. Aliás, o guião de um e outro caso tem inequívocas semelhanças. O despudor que o primeiro-ministro teve no modo como contratou e “descontratou” António Domingues para a administração da CGD, aplicou-o novamente no acordo que estabeleceu com patrões e sindicatos na concertação social.
Mas vamos por partes.

Primeiro, António Costa teve o desplante de assinar um acordo com os parceiros sociais que sabia a priori que não ia ter o “sim” dos seus parceiros políticos do Bloco de Esquerda, do PCP e dos Verdes. Negociou com estes o aumento do salário mínimo para os 557 euros e depois do facto consumado simulou uma negociação em concertação social, comprome- tendo-se com a descida da TSU paga pelas entidades empregadoras. Que sabia que BE, PCP e Verdes eram contra. É de uma irresponsabilidade e de uma infantilidade tão grandes que o mínimo que se pode dizer é que António Costa brincou com a concertação social.

Segundo, e como já é habitual, António Costa tentou tirar o seu cavalinho da chuva, como que a dizer que a solução é dele mas o problema é dos outros. E então fez com que se remetesse para o Parlamento o papel odioso da coisa. O mesmo Parlamento - sublinhe-se - que lhe garante a sobrevivência política. Mas Costa não se detém diante de nada e tratou de alijar as suas próprias responsabilidades. Não tendo previamente tratado de assegurar politicamente a viabilidade do acordo que assinou com os parceiros sociais, tentou fazer com que a bomba rebentasse nas mãos de outros. Especialmente nas mãos do PSD, claro está. Mas já lá vamos.

Terceiro, Bloco, PCP e Verdes não podem sair ilesos desta trapalhada toda. Porque não é apenas uma trapalhada do governo, é sobretudo uma trapalhada que deixa à mostra a natureza espúria desta solução governativa que venderam ao País como sendo sólida, coesa e duradoura. Já se percebeu que não é nada disto.

Sempre que se trata de questões essenciais, a esquerda radical tenta meter-se de fora do retrato e falha no apoio que prometeu ao governo. Foi para isto que formaram uma maioria, para apoiar o governo, e não para serem os primeiros a desertar se a conversa não agrada. E é com eles que António Costa tem que contar, em todas as ocasiões e em todas as circunstâncias. Como o próprio primeiro-ministro já o disse, este governo não precisa do PSD para nada. É mesmo bom que não precise. E que prove que não precisa.

E chegamos ao ponto quarto, o PSD. A posição do PSD é por demais compreendida pelos Portugueses. O PSD não concorda que uma medida que devia ser provisória se transforme em definitiva, não aceita que a descida da TSU seja usada para pagara aumentos do salário mínimo desfazados da realidade económica do País e é frontalmente contra que a descida da TSU seja feita à custa da sustentabilidade da Segurança Social. Para nós, a descida da TSU nunca pode ser para subsidiar o aumento do salário mínimo. E finalmente, o PSD recusa ser a roda sobressalente de uma geringonça que cada vez tem menos pernas para andar. Eles que se entendam!

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