Correio do Minho

Braga, terça-feira

Elogios para uma política melhor

Caminho perigoso

Ideias Políticas

2014-12-30 às 06h00

Pedro Sousa

Elogios. Quero, hoje, elogiar a iniciativa - Natal na Rua - acção promovida, conjuntamente, pela Câmara Municipal de Braga e pela Associação Comercial de Braga.
Gostei do que vi, da vivacidade do Centro Histórico, das muitas animações de rua, dos numerosos concertos, das inúmeras montras vivas, dos cânticos natalícios que, de forma especial, encheram de melodia muitas ruas da cidade. Gostei das leituras de contos infantis e das dramatizações que fizeram as delícias dos mais pequenos.

Na minha modesta opinião esta foi uma boa iniciativa, trouxe mais pessoas para a rua, diversificou, valorizou e qualificou a oferta dos comerciantes (factor importante numa cidade de comércio como é o caso de Braga), criou um clima atrativo para as compras de Natal (época de consumo por excelência) e ajudou, na medida em que reforçou o apelo, à fruição do espaço público.

Esta iniciativa veio, também, dar razão às obras de regeneração urbana promovidas pelo Partido Socialista nos últimos anos que deram um ar fresco, bonito, agradável e cuidado a muitas das ruas, largos e praças da nossa Cidade, circunstância que contribui, naturalmente, para a vontade de fruir, de desfrutar e de vivenciar o espaço público.
Há algumas coisas que podem, naturalmente, ser melhoradas mas, para ponto de partida, a coisa esteve muito bem.

No seguimento dos elogios acima vertidos, fazer uma reflexão um pouco mais densa e profunda sobre a forma dos partidos e os actores políticos se relacionarem uns com os outros.
Há (na generalidade) dos partidos e dos actores políticos uma tendência para criticar por criticar, atacar por atacar, vilipendiar por vilipendiar. Não raras vezes, os partidos políticos atiram-se uns aos outros, atacam-se, degladiam-se e a vida pública, lugar que deve ser de respeito, de diálogo elevado e de debate esclarecedor, transforma-se numa arena de grandes dimensões.

Mais grave, o facto de, em muitas situações, os partidos políticos e os seus dirigentes, numa atitude que revela atraso civilizacional e pequenez de espírito, se atacarem uns aos outros sem, sequer, que se lhes descortine uma verdadeira razão para o fazer, na medida em que as propostas e as sugestões dos outros partidos são sensatas e até fazem sentido no caso em apreço.
A verdade é que há uma certa tendência dominante de o partido A rejeitar, repudiar e criticar tudo aquilo que não seja da sua autoria, rejeitando, sem capacidade de análise e reflexão crítica, tudo o que for sugerido pelo partido B, C ou D.

Esta incapacidade de reconhecer o que de bom se faz e de elogiar os nossos adversários quando é caso disso, apenas, porque são nossos adversários e está instituído desde há muito, desde há demasiado tempo no meu entender, que por sermos de partidos diferentes temos de recusar e de atacar tudo o que os outros fazem, não faz nenhum sentido.

Esta forma de ser e de estar dos partidos e dos seus dirigentes está, entre outras coisas e cada vez mais, a descredibilizar a sua identidade, a sua acção e tem levado, até, a que muitos cidadãos, hoje em dia, tempo em que a credibilidade da política, dos partidos e dos políticos não vive, propriamente, os seus tempos mais áureos, ponham em causa os partidos, a política, os políticos, embarcando, muitas vezes também acriticamente, em fenómenos extremistas e radicais.

Os partidos e os políticos devem aprender que criticar também pode e deve ser dizer bem, elogiar, independentemente da cor ou do quadrante de onde vem a proposta, desde que assim se justifique. Os partidos e os políticos tem de saber criticar com vigor, assim como, elogiar com entusiasmo, sempre com honestidade intelectual.

Se assim fizerem, serão melhor vistos, serão mais considerados e quando tiverem que criticar no sentido negativo do termo, de rejeitar ou de repudiar a proposta ou a decisão do partido que lhes é opositor, as pessoas compreenderão que o estão a fazer por convicção, por acharem que, de facto, aquela é uma má proposta e uma má decisão e que merece a sua censura, não o fazendo, apenas, por ser do contra.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

23 Outubro 2018

Quatro em quatro

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.