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Em águas de bacalhau

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Em águas de bacalhau

Ideias Políticas

2019-12-24 às 06h00

Rita Barros Rita Barros

A minha tolerância à chuva nunca foi grande. Quando era miúda, imaginava poder criar, quando fosse grande, uma redoma sobre Braga, que impedisse a chuva de cair durante o dia, mas pudesse abrir durante a noite, quando eu não andava nem brincava na rua, para lavar as ruas e regar as plantas. Não sendo esta, obviamente, uma opção, interessa pensar a cidade na sua relação com os fenómenos naturais, nomeadamente aquele que experimentámos nesta última semana.
A chuva é inevitável e não é possível alterar a forma das bacias hidrográficas a montante da cidade – que promovem a concentração da descarga das águas num curto espaço de tempo. Mas há um leque de medidas que é possível tomar para mitigar os efeitos dos aguaceiros fortes e concentrados, a curto, médio e longo prazo.

O eucaliptal domina as encostas circundantes, empobrecendo e degradando os solos, tornando-os cada vez mais esqueléticos e diminuindo a sua capacidade para reter água. Através do PDM, o Município pode, por exemplo, definir quais as espécies arbóreas que os proprietários podem plantar, tendo em consideração as condições específicas do local e sua relação com a cidade.
A insistência em canalizar, cimentar e artificializar as linhas de água contribui para aumentar a velocidade da mesma e agravar o problema numa pequena bacia hidrográfica - como é a do Este e seus afluentes - já de si susceptível a cheias rápidas. É preferível manter as margens dos rios e ribeiros naturalizados e arborizados, o que tem ainda impactos positivos na flora e fauna e na fruição dos espaços pelos munícipes.

Várias opções urbanísticas privilegiam o asfalto e outros pavimentos impermeáveis na vez de soluções que permitem a infiltração de água. Uma das questões é a impermeabilização do miolo dos quarteirões no centro da cidade, que pode ser travada se a CMB não licenciar projectos que não tenham este facto em conta, de que não é exemplo do hotel que irá crescer junto ao Recolhimentos das Convertidas e que prevê a impermeabilização total do lote. Outra questão é o sobredimensionamento das vias de circulação automóvel, que, por norma, ocupam o máximo de espaço com asfalto em vez de darem lugar um passeios mais largos e espaço para canteiros, que trariam outros benefícios para os habitantes, peões e outros utilizadores das vias. A falta de espaços verdes é ainda uma importante questão, cuja CMB tem autonomia para criar, recuperar e cuidar, quer dentro da cidade, quer em zonas ribeirinhas, sendo que no caso dos últimos podem ser desenhados para funcionarem como bacias de retenção, alagando quando necessário e assim retendo a água dos rios.

A progressiva urbanização do vale do Este, em particular das suas áreas baixas e do seu leito de cheia, como – como, por exemplo, a mal-afamada permuta de terrenos da Rodovia, que viabiliza a construção de um aparthotel no leito de cheia do Este – ou a opção de reservar apenas metade da Quinta dos Peões como espaço verde na última revisão do PDM, entre outros exemplos, são provas de que este este executivo não procura a resolução do problema, insistindo nas velhas opções (nesta, como noutras questões).
A chuva é inevitável, mas a cidade de Braga tornar-se caótica quando chove, não é.

*a autora não cumpre o Acordo Ortográfico por não concordar com a sua aplicação.

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