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Ensino à Distância

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Ensino à Distância

Voz às Escolas

2020-05-07 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

O Ensino à Distância e a recente introdução de um recurso complementar, o #EstudoEmCasa, têm feito correr rios de tinta, resultando em discursos inflamados sobre as opções estratégicas do governo, as decisões quanto à forma de operacionalização, por parte das escolas, a falta de recursos tecnológicos de uma percentagem significativa de alunos, a proliferação de tarefas exigidas pelos professores, ou a sua escassez e a dificuldade dos pais em conciliarem o trabalho, as tarefas domésticas e o acompanhamento dos filhos, a tempo inteiro.

Efetivamente, a gestão da vida familiar, após o encerramento das escolas, tem sido um enorme desafio, nem sempre bem superado, talvez porque não tivemos tempo para nos prepararmos para uma mudança tão significativa nas nossas vidas, isto acreditando que, formatados para dividirmos os nossos filhos com a escola, pudesse ter havido uma receita milagrosa para um problema sem solução.

No caso, em análise, não estamos a falar de decisões com alternativas, mas de uma situação limite que obrigou a decisões imediatas e drásticas, na defesa dos interesses de todos, de interesses que, desta vez, não estavam relacionados com aumentos salariais ou progressões na carreira, apesar de serem um direito que nos assiste, o de sermos justamente remunerados e reconhecidos pelo nosso trabalho. Desta vez, estávamos perante um problema para o qual não existiam medidas a não ser preventivas, e que carecia de respostas, por muito que pudessem alterar o nosso modus vivendi.

Estando em jogo a sobrevivência de cada um de nós, seria expectável que, independentemente do impacto das decisões tomadas, as encarássemos com abertura, imbuídos de espírito de tolerância e disponíveis a fazer parte da solução e não do agravamento do problema, conscientes de que o efeito surpresa não permite acautelamentos, com a celeridade e a abrangência que todos desejamos.

E, assim, quando confrontada com algumas afirmações sobre as soluções encontradas, quer pelo Ministério da Educação, quer pela próprias escolas, para fazer face à necessidade de encerrar as escolas e de, paralelamente, assegurar que os alunos possam continuar a ter acesso a um direito que lhes assiste, o da educação, pergunto-me, muitas vezes, se algum dia, apesar da situação calamitosa em que nos encontramos, seremos capazes de olhar para lá do nosso belíssimo umbigo e, pelo menos, tentarmos ver o problema no seu todo, ponderando as mais e as menos valias das soluções encontradas.

Não há soluções ideias, nem mesmo quando a vida flui, normalmente, muito menos quando, subitamente, a vida fica de pernas para o ar, mas alhearmo-nos da nossa quota parte de responsabilidade no aligeiramento das repercussões, quando estamos a falar de situações cuja normalidade pode ser reposta, num futuro próximo, parece-me um comportamento em nada abonatório da nossa condição de seres inteligentes.

Estamos todos sob um enorme stress, cansados física e emocionalmente, incrédulos, ainda, quanto à guerra que enfrentamos e à imprevisibilidade do seu termo; estamos saturados de sermos coartados da nossa liberdade, não pelo decretar de qualquer estado de emergência ou calamidade, mas porque enfrentamos um problema que não conseguimos solucionar, independentemente do estrado social de cada um.

Mas o desgaste que sentimos não pode justificar a falta de reconhecimento, por parte de alguns, de que a Escola tem dado o seu melhor, reinventando-se, para evitar o isolamento dos alunos, uma tarefa árdua, só passível de ser devidamente avaliada por quem tem conhecimento e sensibilidade.

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