Correio do Minho

Braga, sábado

Entrada de leão, saída de sendeiro

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Ideias Políticas

2015-02-24 às 06h00

Hugo Soares

Praticamente um mês após as eleições gregas o “conto de crianças” transformou-se num pesadelo para o povo helénico. Um mês volvido, vale a pena perguntar o que ganharam os gregos com a vitória do Syriza. Confirmou-se o fim da Troika e um fim das políticas de austeridade? E sempre não vão pagar a dívida? E os salários foram aumentados? A resposta factual, e não a que o ministro da propaganda Varoufakis quer vender, é simples: A Grécia viu o seu programa com a Troika estendido (hoje mesmo - dia em que escrevo - terá que se comprometer com novas medidas) e assistiu a uma incomparável fuga de capitais, aos juros a dispararem e à bolsa a cair.

Em suma, este novo governo, a única coisa que logrou obter foram condições de partida muito piores. Porquê? Porque durante um mês de forma irresponsável colocaram em causa a credibilidade do País. Em consequência os mercados, os investidores e os cidadãos reagiram como seria de esperar: sem confiança. No fundo, depois de um mês de ilusões e mentiras, mas carregadinho de demagogia, a Grécia está pior: ainda tem e terá a Troika, o salário mínimo não foi aumentado, o desemprego continua a subir, os juros estão mais altos, a bolsa em queda e a banca descapitalizada. Eis o resultado de um mês Syrisita!

Sejamos, portanto, claros e procuremos terminar com alguns mitos de pé de barro criados pela esquerda portuguesa. Ninguém pode regozijar-se com as dificuldades de um povo, com quem todos devemos estar solidários. Nem ninguém pode impedir que um governo legitimamente eleito cumpra as suas promessas eleitorais. Ponto assente. Questão bem diferente é que o faça à custa de 18 outros povos com governos igualmente legitimados democraticamente! No eurogrupo, os 18 estados que o compõe votaram por unanimidade as várias decisões relativas à Grécia. Os 18 estados! Afinal quem tem razão? O carro que vai em contra-mão ou todos os outros que seguem o sentido correto?!

E por cá? O BE perdeu a oportunidade de afirmar a sua alternativa. Defendeu tudo o que Syriza prometeu e viu o Syriza, depois de ganhar, fazer tudo ao contrário. Com que cara ainda consegue o BE defender o indefensável? Como podem os dirigentes do BE dizer que o único governo europeu que defende os interesses de Portugal é o Grego depois de ouvirmos um ministro do governo grego defender a subida dos juros da dívida de Portugal? Já o PCP mantém a sua linha dura de raciocínio e continua a apregoar a saída controlada do euro. Só não anunciam as consequências. Mas o que verdadeiramente importa, por ser partido do arco da governação, é o PS.

O PS que escolheu o caminho da esquerda radical e anunciou a vitória do Syriza como a panaceia para os males da Europa. Pobre PS este que está como o catavento a tentar perceber de que lado sopram as modas. A verdade é que o PS, procurando ganhos eleitorais fáceis, fugindo a todas as suas responsabilidades, procurou o caminho da demagogia. António Costa, embalado pelos seus mais próximos radicais, decidiu embarcar no discurso de apoio ao Syriza e na defesa daquelas posições. O que resta, então, agora a António Costa? Dizer que na verdade faria como o Syriza: tinha entrada de leão e uma saída de sendeiro.

Portugal merece muito mais. Merece determinação e competência. Merece quem conduza os nossos destinos recuperando emprego, colocando a economia a crescer com contas públicas saudáveis e quem não hipoteque as novas gerações. Essa será a escolha das eleições legislativas de 2015.

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