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Era uma vez… os 10 direitos inalienáveis do leitor

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Era uma vez… os 10 direitos inalienáveis do leitor

Escreve quem sabe

2020-01-28 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Era uma vez… Subindo as escadas da EB2,3 de Lamaçães, na nossa cidade de Braga, encontramos os 10 Direitos Inalienáveis do Leitor de Daniel Pennac, em letras suficientemente grandes colocadas entre as escadas, permitindo a sua leitura enquanto subimos os degraus que nos levam ao andar de cima… Ideia Feliz! Aos sábados, todos os meninos e meninas que frequentam o programa de enriquecimento (PEDAIS) da ANEIS recordam, releem, soletram… enfim, saltitam estas frases e palavras que povoam a nossa memória.
1. O direito de não ler;
2. O direito de pular páginas;
3. O direito de não terminar um livro;
4. O direito de reler;
5. O direito de ler qualquer coisa;
6. O direito de confundir o livro com a vida real;
7. O direito de ler em qualquer lugar;
8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali;
9. O direito de ler em voz alta;

Era uma vez… “Como um Romance”, de Daniel Pennac, um livro que tenho na minha prateleira dos livros catalogada com “a reler…” sem ponto final. E por isso voltei a ele… ao livro. Ao romance… ao Daniel Pennac. Os direitos que todos os dias nas nossas salas de aula sofrem atentados. Verdadeiros, podem crer. Como: Lê!…, em voz alta… devagar, para que todos oiçam…agora para dentro… lê até ao final da aula”.
Tantos imperativos. E como quebramos tão depressa a vontade de, fora da sala de aula, fora da escola, fora das leituras obrigatórias, ler.
Era uma vez… “Lê”! Este imperativo não destrói livros, destrói sim leitores. Por isso o primeiro direito inalienável, e o segundo e o terceiro… e todos os outros. O que fazer então para colocar o livro na mão das crianças e dos jovens? Se for para continuar a fazer o que estamos habituados a fazer, a melhor resposta é: NADA. Pelo grau de rejeição que eles desenvolvem em relação à leitura, vemos que as estratégias postas em prática até agora não deram resultado.

Era uma vez… o professor que transmitia de forma natural a sua paixão pelos livros porque a tinha. É preciso que a sua fala transmita uma verdade que vem de dentro, nunca de fora. Ninguém transmite aquilo que não sente, aquilo que não é. É preciso ser-se leitor para transmitir a sua paixão pela leitura. Quando sugerimos um livro é para partilhá-lo, é uma prova de amor, queremos que o outro leia aquilo que foi importante para nós em certo momento da vida. Partilhamos com o outro a nossa paixão pelo livro. Identificamo-nos com o que sugerimos.
Era uma vez… um tempo nas nossas escolas de leitura. Leitura livre. Livre do título do livro, livre do número de páginas, livre do local, livre de começar e terminar, livre de saltar páginas, imensamente livre, tal como dizia Daniel Pennac. “Depois de ler um livro nunca mais se é a mesma pessoa que era antes de lê-lo” e sabemos que quem gosta de ler e lê bastante pode citar pelo menos um livro que “mudou a sua vida”. Mas tem que ser um tempo real… um tempo (temos tantos tempos nas escolas).

Era uma vez… o reflexo de uma interioridade tranquila: a imagem de alguém que lê é sempre associada a um lugar tranquilo, confortável e aconchegante, ou, na falta deste lugar, à expressão de calma e felicidade mesmo que num ambiente agitado e perturbador.
Tal como um amigo, os livros são uma ótima companhia, que nos fazem sorrir, emocionar, envolver, cativar, identificar… a quem tratamos por “tu” e por “meu”. A intimidade e a propriedade, do amigo que se gosta. E partilhar esse amigo? Ouçam a conversa entre dois pequenos leitores que por acaso descobrem que leram o mesmo livro: em poucos minutos conversam como se se conhecessem há muito tempo. Entre adultos acontece o mesmo. Não partilhe o estado do tempo, partilhe o livro que acabou de ler! É um assunto infinito….
E soma sempre ao nosso conhecimento.

Era uma vez… umas escadas na EB2,3 de Lamaçães, onde encontramos os 10 Direitos Inalienáveis do Leitor de Daniel Pennac, em letras suficientemente grandes colocadas entre as escadas, permitindo a sua leitura enquanto se sobem os degraus que nos levam ao andar de cima… Ideia Feliz!
No próximo sábado, todos os meninos e meninas que frequentam o programa de enriquecimento (PEDAIS) da ANEIS vão recordar, reler, soletrar… enfim, saltitar estas frases e palavras que fazem deles Leitores Livres.

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