Correio do Minho

Braga, segunda-feira

“Era uma vez...”

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2018-01-30 às 06h00

Cristina Palhares

Era uma vez, um pequenino camaleão. Um menino que do alto dos seus 5 anos cumpria com todas as expectativas que dele tinham: comportamento exemplar; leitura, escrita e cálculo num nível de proficiência muito superior à idade; entusiasmo e curiosidade que mais nenhuma outra criança da sua idade parecia entender; gostos e interesses bem diferenciados dos seus pares. (Aluno exemplar).
Era uma vez, um pequeno camaleão. Um menino que do alto dos seus 10 anos cumpria com todas as expectativas que dele tinham: problemas de comportamento, de atenção e concentração: leitura, escrita e cálculo de nível muito superior; algum entusiasmo e curiosidade que nenhuma outra criança da sua idade parecia entender; gostos e interesses muito próprios e quase exclusivos. (Aluno com excelentes classificações e com problemas de comportamento).

Era uma vez, um jovem camaleão. Um jovem, que do alto dos seus 15 anos, cumpria com todas as expectativas que dele tinham: graves problemas de comportamento; leitura, escrita e cálculo de nível muito superior que não se refletia nas aprendizagens escolares; Apatia, desinteresse e alheamento; gostos e interesses que ais nenhum jovem da sua idade conseguia entender. (Aluno com baixas classificações e graves problemas de comportamento).
O único denominador comum destes três camaleões: o serem exatamente o mesmo menino.

O menino que cedo foi cumprindo o que dele se esperava, que cedo foi correspondendo às expectativas que tínhamos de que ele assim fosse e que, por isso, realiza todo um percurso escolar “adaptando-se”, tal como o nosso amigo camaleão ao que ia ouvindo: “Ui.... vai dar-me problemas na sala de aula”; “Vai com certeza ser uma criança infeliz e sozinha”; “Tem a mania que sabe tudo”; “Eu já sabia que as notas dele iam baixar”; “Não vale a pena estar a dar-lhe atenção porque ele não quer”; “Ele só sabe o que aqui na escola não é necessário”... e tantas, tantas outras expectativas que vamos formulando e, tal como uma boa profecia, se vão cumprindo. Se os nossos alunos procuram corresponder ao seu próprio autoconceito (que é formado nas interações com o ambiente que o rodeia) e às expectativas do professor, torna-se fácil perceber que se mudarmos as “cores” do ambiente vamos mudar com certeza as “cores” do nosso pequeno camaleão. Já nos famosos e polémicos estudos de Rosenthal “Pigmaleão na sala de aula”, os autores afirmavam que “as pessoas fazem mais vezes o que se espera delas do que ao contrário” não querendo no entanto dizer que o comportamento humano é completamente previsível, susceptível de alteração por simples vontade de alguém que lhe é exterior. Acrescentam ainda que “quando esperamos encontrar uma pessoa agradável, a nossa maneira de tratá-la, desde o princípio, pode de facto tornar essa pessoa agradável”. Então, a nossa atitude, ainda que inconsciente, pode ter reflexos nas atitudes dos outros. Daí que as expectativas interpessoais se positivas serão com certeza uma mais valia para o sucesso pessoal e escolar dos nossos alunos.

Era uma vez, um pequenino camaleão. Um menino que do alto dos seus 5 anos cumpria com todas as expectativas que dele tinham: comportamento exemplar; leitura, escrita e cálculo num nível de proficiência muito superior à idade; entusiasmo e curiosidade que mais nenhuma outra criança da sua idade parecia entender; gostos e interesses bem diferenciados dos seus pares. (Aluno exemplar).
Era uma vez, um pequeno camaleão. Um menino que do alto dos seus 10 anos cumpria com todas as expectativas que dele tinham: comportamento exemplar; leitura, escrita e cálculo num nível de proficiência muito superior à idade; entusiasmo e curiosidade que mais nenhuma outra criança da sua idade parecia entender; gostos e interesses bem diferenciados dos seus pares. (Aluno exemplar).

Era uma vez, um jovem camaleão. Um jovem, que do alto dos seus 15 anos, cumpria com todas as expectativas que dele tinham: comportamento exemplar; leitura, escrita e cálculo num nível de proficiência muito superior à idade; entusiasmo e curiosidade que mais nenhuma outra criança da sua idade parecia entender; gostos e interesses bem diferenciados dos seus pares. (Aluno exemplar).
Apenas e só porque os professores acreditaram no efeito pigmalião... que muitos autores denominam, nos dias de hoje, efeito esperança – “esperança significa uma expectativa quanto ao futuro, mais ou menos justificada, atendendo um acontecimento agradável e favorável”.
Tal como Joaquim Leal na sua tese “Expectativas e Sucesso Escolar” sugere, Fernando Pessoa em “Mensagem” fala de esperança e de crença na capacidade de realização humana quando diz: “És melhor do que tu; não digas nada: Sê!”.

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