Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Escrever e falar bem Português

O Estado da União

Escreve quem sabe

2018-05-06 às 06h00

Cristina Fontes

A forma como falamos e escrevemos assume, inequivocamente, um valor sociocultural significativo, promovendo a aceitação, a credibilidade e o prestígio social. Todavia, se o domínio da linguagem escrita e falada for deficitário a nossa imagem pessoal e profissional é prejudicada.
É frequente ouvirmos pronunciar erradamente as formas verbais da primeira pessoa do presente do conjuntivo (p[ó]ssamos; s[é]jamos, f[á]çamos, t[é]nhamos,). Estas formas verbais são graves, ou seja, o acento tónico recai na penúltima sílaba: possamos, sejamos, façamos, tenhamos (segundo as regras ortográficas, estas palavras escrevem-se sem acento gráfico).

Outro erro muito frequente, ainda no que concerne à conjugação verbal, é com o verbo haver no presente do indicativo. Quem nunca ouviu vocês há dem em vez de hão de? Ou Tu há des por hás de?
O paradigma de conjugação do verbo haver no presente do indicativo é: eu hei de, tu hás de, ele há de, nós havemos de, vós haveis de, vocês / eles hão de. Reparem que, segundo o novo acordo ortográfico, o hífen deixa de existir a separar a forma verbal da preposição.
Relembro, também, que, com a aceção de existir, o verbo haver não é flexionado no plural (Ex.: Houve um espetáculo, houve dois espetáculos; havia um carro na rua, havia dois carros na rua; há um barco no cais, há dois barcos no cais).

Falemos, também, do verbo entreter. É frequente ouvi-lo erradamente conjugado sobretudo no pretérito perfeito e no imperfeito. (Eu *entreti as crianças; *ele entretia as crianças). Para evitar o erro, usemos a conjugação do verbo ter nestes tempos e acrescentemos entre. O correto é, pois, eu entretive; ele entretinha.
A confusão entre perda e perca é, igualmente, muito frequente. Perda é um nome comum utilizado com o significado de desaparecimento (Ex.: Lamento a perda do teu pai); de diminuição (Ex.: Este filme é uma perda de tempo).

Perca é forma conjugada do verbo perder no presente do conjuntivo (na 1.ª pessoa do singular: [Que eu] perca O médico quer que eu perca peso; na 3.ª pessoa do singular: [Que ele] perca É absolutamente necessário que ele perca dez quilos.). Também é a conjunção no imperativo Perca peso naturalmente!
Pode ser, igualmente, um nome feminino referente a um peixe ( Aquela posta de perca estava deliciosa).
Termino, hoje, com uma expressão presente na linguagem informal do dia a dia e que, não tarda nada, entra no léxico como certa, tal é a disseminação do seu uso. Refiro-me a destrocar» em frases como: *Preciso de destrocar esta nota por moedas. O que queremos mesmo é trocar a notas por moedas, não é? Por isso, o correto é Preciso de trocar esta nota por moedas.
Boa semana.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.