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Escutismo em tempo de pandemia

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Escutismo em tempo de pandemia

Ideias

2020-11-05 às 06h00

Leonel Rocha Leonel Rocha

OEscutismo, uma “Escola” de valores e de competências transversais para a vida, caracteriza-se pelo sistema de patrulhas, pelas atividades ao ar livre, pelo imaginário e pelo jogo.
Naturalmente que o método escutista implica e privilegia as relações sociais e a proximidade, fomentado verdadeiras e duradouras amizades, que levamos para a vida, pois o “Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas”.
A pandemia do Covid 19 veio impor novas rotinas e novos cuidados, impondo distanciamento social, isolamento, dificuldade na expressão de sentimentos e emoções, desde logo, dificultadas pelo uso da máscara.
Por causa das novas regras criadas, (é claro, para nossa proteção), parou-se com tudo o que era atividades. As atividades escutistas não foram exceção. As sedes ficaram vazias, as crianças e jovens não mais foram vistos com os seus uniformes a espalhar alegria pelas ruas e nas celebrações, os acampamentos e as atividades ao ar livre deixaram de se realizar.
A pandemia não impediu apenas o normal desenvolvimento das atividades escutistas, mas impregnou, também, de medos e receios as famílias e as crianças/jovens.
Se por um lado os receios de voltarem a frequentar as atividades escutistas são legítimos e reveladores de que as pessoas estão preocupadas e empenhas em se proteger do vírus, por outro lado pode trazer outros problemas no normal desenvolvimento da personalidade das crianças e dos jovens, como a propensão para as depressões, a desconfiança desmesurada em relação aos outros e o afastamento nas relações interpessoais.
Perante a nova realidade, não podemos parar com tudo e colocar tudo em causa. As coisas boas não deixaram de ser boas, por vivermos em tempo de pandemia. As coisas boas continuam a ser boas e a fazer-nos falta. Apenas temos que as adaptar ou nos adaptar a elas de forma diferente, para que não sejam focos de contágio do Covid 19.
O Escutismo, como escola de cidadania e de valores saberá respeitar as ordens das autoridades de saúde, usar as medidas de proteção individual, fazer proximidade emocional, mas com as devidas distâncias físicas…
O sistema de patrulhas, onde se privilegia o pequeno grupo, liderado pelo Guia de Bando (Lobitos), Guia de Patrulha (Exploradores), Guia de Equipa (Pioneiros) e Guia de Tribo (Caminheiros) é uma excelente forma de se trabalhar, pois as relações e a cooperação são feitas em segurança, num pequeno grupo (entre 4 e 8 elementos), onde cada um tem o seu cargo e as suas tarefas.
A juntar ao sistema de patrulhas, que privilegia o pequeno grupo onde cada elemento tem mais possibilidade de crescer, de se revelar e de mostrar as suas capacidades, o Escutismo tem uma outra grande vantagem neste contexto de pandemia: privilegia as atividades ao ar livre, em contacto com a natureza, claramente um “espaço” mais puro e menos propício a contágios.
O próprio imaginário que os escuteiros encontram para as suas atividades e a metodologia que assenta no jogo, pode reverter a favor a motivação e do desenvolvimento dos alunos no seu sistema de progresso o cumprimento das regras emanadas pela Direção Geral de Saúde. Quem sabe se não vamos começar a ver máscaras pintadas com os símbolos escutistas, por exemplo…
Importa ter presente que o Escutismo não é uma ilha na sociedade e na vida de cada escuteiro.
Assim, seria importante se as famílias e instituições como as Escolas articulassem com os respetivos agrupamentos dos seus educandos, para que todos se completassem na educação e na formação que ministram, para que todos falem a mesma linguagem, tenham procedimentos similares e que se ajudem mutuamente a conseguirem os melhores resultados na missão de se atingir determinados perfis de alunos/jovens/cidadãos que levem à construção de uma socieda- de mais justa, mais criativa e mais humanizada.
O Escutismo apesar da situação de pandemia em que vivemos ou melhor aproveitando a situação de pandemia em que vivemos, continua a ter todas as ferramentas para ajudar a cumprir o repto de Baden Powell: “deixar o mundo um pouco melhor do que aquele que encontramos”.

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