Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Esquizofrenia Política

O Estado da União

Ideias Políticas

2013-03-26 às 06h00

Hugo Soares

Os tempos que vivemos, pela sua especial complexidade e pelas suas características únicas que resultam na maior crise da democracia Portuguesa e Europeia, são pródigos em acontecimentos políticos. Se a gravidade da situação impunha o regresso da grande Política, a pequena política tem reinado. Na última semana, conhecemos o anúncio da Moção de Censura a apresentar pelo PS e o regresso de José Sócrates ao cometário político na televisão pública.

Comecemos pelo anúncio do rompimento formal do consenso político. António José Seguro, com o anúncio da moção de censura, formaliza aquilo que já dizia 5 meses após a assinatura do memorando de assistência financeira a Portugal: não quer ficar com os ónus eleitorais do caminho difícil que temos que trilhar. Mas não se pense que é a Moção de Censura que rompe o consenso político. É apenas o fim formal.

Na prática, Seguro sempre se afastou de tudo o que poderia ter custos eleitorais, ainda que as medidas e as metas fossem impostas pelo Memorando que o Partido dele, que ele apoiava todos os dias na Assembleia da República, onde presidia à Comissão de Economia (espante-se!), negociou e assinou: foi assim na votação da reforma administrativa; foi assim na extinção dos Governos Civis; foi assim na reforma do Código Penal; foi assim na reforma do Código de Recuperação de Empresas e Insolvência; foi assim na Reforma do Estado…

Seguro há muito que desistiu do País. Apenas pensa nas eleições que hão de vir. Mas pior do que aumentar tensão e a instabilidade social, bem pior do que mentir despudoradamente todos os dias aos Portugueses, pior do que não ter uma proposta concreta para os problemas do País, o Secretário-geral viu o seu vice-presidente Deputado José Junqueiro dizer num programa televisivo que esta moção era também de censura à Troika. Caiu a máscara ao PS.

O Partido que levou Portugal às portas da bancarrota, o Partido que pediu ajuda externa, o Partido que negociou e assinou o programa de resgate que tem as consequências que todos os Portugueses conhecem quer agora censurar aqueles que permitem ao País ter acesso a financiamento para pagar salários e garantir prestações sociais. Seguro é um líder a prazo e procura todos os momentos para se afirmar: o problema é que sempre à custa da Política com “P” maiúsculo e dos Portugueses.

Quanto ao regresso de José Sócrates como comentador Político da RTP: não coloco em causa a legitimidade que a televisão pública tem em convidar quem quiser; para mim a independência editorial de todos os órgãos de comunicação social são sagrados. Mas também não deixo de expressar a minha opinião indignada e de revolta. Como é possível que o Primeiro-Ministro das PPP's, o campeão dos deficits públicos, da dívida pública, o campeão da Parque Escolar, dos milhões gastos em estudos para TGVs e novos aeroportos; como é possível que aquele que levou o País a um pedido de resgate externo seja o convidado de honra da televisão pública de um País para, semanalmente, fazer comentário político?!

Não se trata de permitir o contraditório, não se trata de uma entrevista, não se trará de colher declarações! Trata-se de fazer comentário político semanal. Considero uma vergonha nacional que deve indignar um Povo. E porque o considero, não o deixo de dizer!

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