Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Estadistas e Políticos

Da falta que as tentações nos fazem

Ideias Políticas

2013-11-19 às 06h00

Hugo Soares

Nos próximos dias será aprovado o Orçamento do Estado para 2014. Trata-se, assim todos os desejamos, do último orçamento condicionado pelos nossos credores oficiais e, como já alguém disse, é o passaporte de ida (esperamos que sem volta!) da Troika.

Nos últimos dois anos, as famílias e as empresas passaram por dificuldades terríveis. Muitos perderam emprego, outros tiveram que adaptar o seu estilo de vida às dificuldades financeiras, empresas fecharam e milhares de portugueses saíram do País. Esta é a realidade e escamoteá-lo é desrespeitar o sacrifício de todo um povo. Sabemos hoje o que nos trouxe às portas da bancarrota e à necessidade de um resgate financeiro: deficits orçamentais sucessivos e descontrolados, endividamento público sem controlo, despesa pública insustentável e um desequilíbrio acentuado das balanças comerciais. Tudo fruto, assumamo-lo, de políticas públicas ruinosas, muitas vezes danosas, irresponsáveis e eleitoralistas.

Dois anos volvidos e estamos, finalmente, a sete meses de nos libertarmos da Troika.
É também tempo de olharmos para trás. Lembramos agora a oposição que gritava que Portugal precisava de mais tempo e mais dinheiro para cumprir o seu programa. Trocando por miúdos, o que o PS queria era que Portugal pedisse mais dinheiro emprestado (mais dívida, portanto) e estendesse a presença do FMI, BCE e Comissão Europeia em Portugal por mais anos. Dois anos volvidos, percebemos que não precisamos nem de mais tempo nem de mais dinheiro.

Mas oposição também afirmava que Portugal se encontrava numa espiral recessiva. Isto significava que à recessão se somava recessão e que nunca iriamos daí sair. Dois anos volvidos, o PIB português começa a crescer e, nos últimos dois trimestres, registamos crescimento económico. Numa palavra: Portugal saiu da recessão técnica. Também o desemprego começou finalmente a cair, contraindo as expectativas mais pessimistas.

Ora, também aqui a oposição se apressou a dizer que é fruto da emigração. Mas como explicam que o emprego também tenha crescido? Como explicam que nos últimos dois trimestres se tenham criado em Portugal mais de cem mil postos de trabalho? A verdade é que os portugueses já perceberam também hoje que a oposição que devia sê-lo ao Governo e aos partidos da maioria é na verdade oposição ao País.

É inaceitável que o PS, porque é a quem se exige responsabilidade de Estado, se tenha tornado num partido que não tem qualquer prurido em fazer baixa política, que não se inibe de contrariar evidências e que não se abstém de fazer do jogo partidário o seu fio condutor de oposição. É caso para dizer que o PS merece mais e o País exige muito mais. Porque Portugal não é de quem o governa em determinado momento. Porque Portugal não é dos partidos. Porque Portugal é dos de agora e dos que hão de vir. Por tudo isto, os sacrifícios dos Portugueses merecem o respeito de todos.

E porque há momentos em que separação entre políticos e estadistas fica mais clara: os primeiros, os políticos, governam a pensar nas próximas eleições; os segundos, os estadistas, governam a pensar nas próximas gerações. E é essa diferença que parece cada vez mais nítida.

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