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Estratégia Europeia para os Plásticos

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Estratégia Europeia para os Plásticos

Ideias

2019-10-05 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

O papel e a importância do plástico na economia têm vindo a crescer sistematicamente ao longo dos últimos 50 anos. A produção mundial de plásticos foi multiplicada por um fator de vinte desde a década de 60, tendo atingido 322 milhões de toneladas em 2015.
A indústria dos plásticos na UE emprega 1,5 milhões de pessoas e apresenta um volume de negócios de 340 mil milhões de euros. Os europeus geram, anualmente, 25,8 milhões de toneladas de resíduos de plástico, das quais menos de 30% são recolhidas para reciclagem. A União Europeia adotou uma nova Estratégia para os Plásticos, integrada no processo de transição para uma Economia Circular, estabelecendo a meta de 2030 para que todas as embalagens de plástico no mercado sejam recicláveis.

A economia do futuro terá de ser eco-sustentável e não poderá ser desenvolvida baseada no habitual modelo de extração de matérias-primas, produção, distribuição e utilização de produtos descartáveis seguindo-se na cadeia os inevitáveis resíduos. A transição da designada economia linear para a Economia Circular implicará novos paradigmas de como as empresas vão produzir, distribuir e até como vamos consumir. A Comissão Europeia adotou um ambicioso pacote para promover a transição da Europa para uma Economia Circular.

O potencial para a reciclagem de resíduos de plástico na UE continua, em larga medida, por explorar. A taxa de reutilização e reciclagem dos plásticos em fim de vida é muito baixa, em especial quando comparada com a de outros materiais como o papel, o vidro e os metais. Atualmente, a procura de plásticos reciclados representa apenas cerca de 6% da procura de plásticos na Europa.

As taxas de deposição em aterro e de incineração de resíduos de plástico continuam a ser elevadas (31% e 39%, respetivamente), sendo que, embora a deposição em aterro tenha diminuído na última década, a incineração tem vindo a aumentar. Aproximadamente 95% do valor dos materiais das embalagens de plástico (ou seja, entre 70 e 105 mil milhões de euros por ano) perde-se para a economia, após um primeiro ciclo de utilização muito curto.
A nível global, 5 a 13 milhões de toneladas de plásticos (1,5% a 4% da produção mundial) acabam todos os anos nos oceanos. Estima-se que o plástico represente mais de 80% do lixo marinho.
Em 2015, a Comissão propôs que, até 2025, fosse obrigatória a reciclagem de, pelo menos, 55% das embalagens de plástico na UE.

Para se alcançarem níveis mais elevados de reciclagem de alta qualidade, as questões relacionadas com a conceção devem ser abordadas de forma muito mais sistemática. Os setores automóvel, da construção, do mobiliário e dos equipamentos eletrónicos proporcionam também importantes aplicações para a utilização de plásticos e são uma fonte importante de resíduos de plásticos passíveis de serem reciclados.

O documento da Comissão Europeia para “Uma visão para a economia circular dos plásticos na Europa” resume essa visão nos seguintes pontos:
“Uma indústria dos plásticos inteligente, inovadora e sustentável, em que a conceção e a produção respeitem plenamente as necessidades de reutilização, reparação e reciclagem, que promova o crescimento e o emprego na Europa e contribua para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da UE e a dependência dos combustíveis fósseis importados.
?Os plásticos e os produtos que contêm plástico são concebidos de modo a permitir uma maior durabilidade e reutilização, e uma reciclagem de alta qualidade. Em 2030, todas as embalagens de plástico colocadas no mercado da UE são reutilizáveis ou podem ser recicladas de forma economicamente eficiente.
?Alterações na produção e conceção permitem taxas de reciclagem de plásticos mais elevadas para todas as aplicações essenciais. Em 2030, mais de metade dos resíduos de plástico produzidos na Europa é reciclada.
?A capacidade de reciclagem de plásticos na UE é consideravelmente alargada e modernizada. Em 2030, a capacidade de triagem e reciclagem terá quadruplicado em relação a 2015, levando à criação de 200 000 novos postos de trabalho, repartidos por toda a Europa.
?Graças à melhoria da recolha seletiva e ao investimento em inovação, em competências, é eliminada a exportação de resíduos de plástico com triagem deficiente. Os plásticos reciclados tornam-se uma matéria-prima cada vez mais valiosa para a indústria.
?A cadeia de valor dos plásticos está muito mais integrada e a indústria química trabalha em estreita colaboração com os operadores de reciclagem de plásticos para ajudá-los a encontrar aplicações de âmbito mais vasto e de valor mais elevado para os seus produtos.
?O mercado dos plásticos reciclados e inovadores encontra-se estabelecido com êxito, aumentando as perspetivas de crescimento à medida que mais produtos incluem conteúdos reciclados.
?Uma maior reciclagem de plásticos contribui para reduzir a dependência da Europa em relação às importações de combustíveis fósseis, bem como as emissões de CO2.
?São desenvolvidos e utilizados materiais inovadores e matérias-primas alternativas para a produção de plásticos, sempre que se comprove claramente que são mais sustentáveis do que as alternativas não renováveis.
?A Europa confirma a sua liderança em equipamentos e tecnologias de triagem e reciclagem.”
Os desafios associados à produção, ao consumo e ao fim de vida dos produtos de plástico podem ser transformados numa oportunidade para a UE e para a competitividade da indústria europeia.

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