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Europa, que importas?

10 de junho, um dia de reflexão sobre o futuro das Comunidades

Ideias Políticas

2014-06-03 às 06h00

Hugo Soares Hugo Soares

O resultado das últimas eleições para o parlamento europeu deve merecer uma reflexão aturada de todos quantos se importam. Os que se importam em ter uma vida melhor, os que se importam com um futuro melhor para filhos e netos, os que se importam consigo e com os outros.
É neste contexto que uma taxa de abstenção já a rondar os 70% e uma orientação tão dispersa dos votos (sobretudo nas margens da moderação e com particular enfoque nos eurocépticos e no populismo desmedido) justificam um olhar atento à nossa organização política.

Em primeiro lugar cumpre dizer que a Europa ficou para segundo plano nestas eleições. Quem votou no PCP nem deveria saber que defendiam a saída do Euro e o não cumprimento do tratado orçamental. Ou seja: o PCP defendia um Portugal sozinho na Europa e a caminhar para uma pobreza generalizada. Quem votou no MPT, com grande grau de probabilidade, nem sequer fazia ideia do que defendia.

E quem votou na Aliança Portugal ou no PS pouco ou nada ouviu (muito por culpa dos Media) do que defendia para a Europa. De facto, as grandes questões europeias ficaram foram da agenda: o que fazer aos milhares desempregados sem qualificação e sem idade para se aposentarem? Queremos uma Europa com mais integração (económica e bancária) ou não? E queremos ou não queremos uma Europa protecionista entre si ou aberta - sem cautela - ao mundo global? Enfim, um sem número de questões por responder.

No mais, o resultado merece que se coloque em cima da mesa a reforma do sistema político. Uma reforma da constituição que a torne apta a promover as transformações que o Estado precisa sem dogmas ideológicos (até porque a CRP é de todos - ou deve ser).

Leis eleitorais capazes de aproximar eleitos de eleitores (um círculo nacional e círculos uninominais). Facilidade no exercício de voto (como a introdução do voto eletrónico). Um único mandato presidencial de sete anos. Regras de transparência no exercícios dos mandatos com responsabilização “à séria”. Atribuição de novas competências aos municípios. E depois de colocarmos o Estado na ordem, uma administração mais bem paga e preparada, contra todas as influências e pressões.

É tempo de ser dar este passo sem demagogias e sem ceder a populismos fáceis: a democracia tem custos, é cara e os partidos são essenciais. Mas que se pode (e deve melhorar) o sistema, ai isso pode-se.
Os Portugueses falharam à chamada nas últimas eleições europeias. Porque a Europa não importa? Ou porque não se importaram?

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