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Exageros à parte

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Exageros à parte

Escreve quem sabe

2024-05-19 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

“Tem a mania!”, é uma expressão popular muito conhecida que “descreve”, pessoas que gostam de se evidenciar (intelectualmente ou fisicamente) diante de outras pessoas. É diferente do transtorno da personalidade narcisista, porque por detrás de uma atitude de superioridade está mascarado o complexo de inferioridade. É a necessidade de mostrarem que são melhores e que se destacam, mas na realidade é o oposto, sentem-se inseguras e frequentemente a realidade não é a que narram, mas ao mesmo tempo aquela em que querem acreditar. Precisam de acreditar, mas se convencerem a si próprios/as e frequentemente, quando algo corre bem, acreditam que problema não se circunscreve a si, mas sim a “terceiros”, concretamente, nas circunstancias, ou até mesmo nas pessoas com quem interage, que a/o impedem. Todo o excesso esconde um vazio emocional. Neste sentido, todo o comportamento em exagero, oculta uma grande verdade que não é aceite pela própria pessoa. Neste sentido, há a necessidade de repetir “vezes e vezes” a mesma coisa, para que a própria e os/as que o escutem possam acreditar. Mas há consequências não muito positivas. São muitas vezes entendidas como pessoas “cansativas” (repetem sempre o mesmo), e não conseguem manter amizades e/ou contactos com outras pessoas, por serem percebidas por “falta de humildade”. O exagero é uma necessidade de aprovação. Desengane-se quem afirma que os exageros se prendem a adições como o consumo de álcool, tabaco, ou até mesmo à compulsão oniomania (compulsão de compras). Se alguém, tem a necessidade constante de dizer “Eu sou o/a melhor”, pode não circunscrever a realidade, no sentido, “do sentir” da própria pessoa, todavia, precisa de verbalizar para que possa encontrar a validação verbal ou pela leitura de expressões faciais que a pessoa que recebe essa informação lhe faça acreditar. Se escutar a repetição “compulsiva” do “Eu é que não quis.”, saiba que a rejeição é uma emoção muito dolorosa, e frequentemente, camufla a dor de ser rejeitado/a (tanto para um trabalho como um relacionamento). Pode existir a necessidade persistente de dizer que o/a outra é que foi rejeitado/a, quando foi o/a próprio/a. Pode estar relacionado, também com infâncias “muito protegidas” em que o desenvolvimento emocional pauta-se na disfuncionalidade da não existência de “nãos”, e o no “primeiro não” na vida adulta a crença irrealista de que “é o/a melhor, o perfeito/a”, desfaz-se na relação com e para pessoas que dizem “não”. Não obstante , importa referir também a verbalização, do “ Já tenho.”, ou “Tenho muitos/as”, ou “Sou o/a que tenho mais.” Na verdade, a insistência do ter expressa-se na ostentação, para ter reconhecimento ou validação de pessoas que considera significativas ou importantes, mas na realidade não tem. É na verdade uma forma “distorcia” que procura o reconhecimento e a aproximação a pessoas que deseja estar próximo/a. Em jeito de síntese, alguém que tem a necessidade de falar excessivamente, (em alguns casos – verborreia - necessidade patológica de falar), na realidade certamente mascara insegurança, baixa autoestima e uma forte necessidade de impressionar as pessoas. Os sinais são por vezes bastante elucidativos desde: a necessidade recorrente e repetida de impressionar com algo (trabalho, casamento, aquisição de bem material etc.); a comunicação não verbal observável nas expressões faciais, pois se quem está a narrar não sentir validação da parte que escuta, irá manter contato ocular, e irá verbalizar as vezes que forem necessárias, o mesmo, e irá certificar-se da validação emocional com perguntas “Não achas que tenho razão?” (sendo que por questões de educação/cortesia se diz que sim, mas na realidade é um não). Também lhe “dará provas”, através de fotos ou textos, o que for necessário para “validar valor” à informação que lhe está a transmitir. Mas será verdade essa informação ou poderá estar completamente descontextualizada da situação?! Pois “nem tudo o que parece o é.” Quando se está bem, realizado/a e feliz o “essencial é invisível “a outros olhos” e a outras opiniões. Num outro polo emocional, a da tristeza, todo o excesso de mostrar, na verdade esconde aquilo que mais falta faz, mas há a necessidade convencer outras pessoas (sobretudo as que se consideram que estão bem melhores do que o/a próprio/a), que está tudo bem. Todo o excesso de quem “muito se promove” figura um inverso daquilo que não se é, mas se gostaria de que se fosse.

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