Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Excerto de uma Vida..., de Teresa Belho

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Conta o Leitor

2010-08-19 às 06h00

Escritor

Quarto nº 32. Ouvem-se os primeiros choros. Embebido em sangue nasce o bebé, uma menina suavemente é pegada ao colo. Ouve-se a respiração ofegante daquela mãe.
Depois de cuidada, a bebé tem o primeiro contacto com a sua progenitora. Sente-se a felicidade que aquela mulher tem. Vê-se em seu rosto satisfação, alívio. De repente, fecha seus olhos aconchega sua filha e adormece.
Ao fundo ouvem-se passos. É o pai, aproxima-se a passos largos do quarto onde se encontram as mulheres da sua vida. Ao entrar seus olhos enchem-se de água. Emoções à flor da pele, cenário de filme.
Os dias passam. À medida que o tempo avança, a bebé e a sua mãe voltam felizes para o seu lar. O casal acompanha de perto os primeiros momentos de vida do deu rebento. O abrir dos olhinhos, o mexer das mãozinhas. Tudo é lindo o motivo de admiração. Os primeiros passarinhos, o beijinho, o riso, as primeiras palavras. São as primeiras reacções de uma vida que acaba de começar.
Os anos cavalgam, a menina cresce. Tem traços de rebeldia, já não é sossegada como o anjo que nascera. Começa a fazer as suas escolhas, as suas opções. Primeiro dia de aulas. Euforia, novos conhecimentos. Os seus pais começam a ver a sua menina entrar em outro mundo, a interagir com outros se-res humanos.
Redondinha assim se destaca entre os demais. Narizinho achatado caminha entre a multidão na direcção da sua sala de aula. Rapidamente faz uma quantidade de amigos. Nota-se que nasceu para se afirmar diferente, perspicaz. É inteligente e facilmente avança de ano para ano.
Pai e mãe começam a notar diferenças. De menina mexida passa a adolescente. Com a cabeça cheia de sonhos, não pára de imaginar o que há para descobrir.
Assim como o tempo voava, seu peso aumentava. Nada lhe tirava o sorriso nem mesmo comentários despropositados. Sentia que de certa forma era descriminada mas a sua inocência, a tenra idade não a deixavam detectar isso.
Entretanto chegou o momento de encarar o espelho. A idade era maior e o pensar também. Revoltada consigo própria travou batalha com o corpo. Já não ouvia ninguém nem mesmo seus familiares. Apenas queria ser melhor, mais magra.
Decidida, diminuiu impressionavelmente a sua silhueta. Reduzia-se a olhos vistos, já não sorria, já não comunicava. Agarrada ao seu peso ia também a sua alegria. Tornou-se independente, pouco sociável. Isolava-se com facilidade. Até que um dia o mundo parou!
Terça à tarde, 16 de Setembro de 2008. Dia solarengo de temperatura amena, dia da sua primeira consulta no psiquiatra. Seus pais queriam pôr fim àquela loucura, a mesma que lhes estava levando a 'menina' de hora a hora...
Anorexia nervosa! Como é possível? Diagnosticada ali naquele momento. Na cara de sua mãe lágrimas de dor corriam. Foi o culminar de tantos erros. Aquela jovem adolescente pagava caro o facto de nunca ter ouvido ninguém.
Medicamentos, terapias, consultas. Tudo se fez para puxar o barco do fundo do oceano. Aos poucos as coisas iam voltando à normalidade, a passo de caracol...
A existência daquela, agora mulher, tinha de ser forçadamente seguir em frente. Ela não sabia o que tinha perdido no tempo em que se fechou dentro de si mesma.
Arranjou emprego, estabilizou a sua vida. A maré da sorte invadiu-a e o amor apareceu...
Um grande amor, alto, loiro de olhos castanhos. Traços definidos homem perfeito. Tiago de seu nome, amor de passado, alento de presente. Fez renascer a chama há tanto apagada. Ensinou-a a adorar, a amar. Mostrou-lhe os prazeres da vida e o belo que a mesma tem. Com ela sorriu e chorou. Partilhou sorrisos, enxugou lágrimas. Voltou a colocá-la no mundo.
Vivem agora momentos de alegria, intensos. Recuperada, ela vive com amor à vida. Fazem-se passear juntos. Unidos. Transpiram beleza. São felizes, completos. Esperam e idealizam um futuro sólido, de boas fases.
Têm a sorte a seu lado e vivem para alcançar a felicidade eterna.

Para ti meu único Amor,
João Tiago Fernandes da Silva

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