Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Excerto do discurso da ANEIS na AR

O Estado da União

Escreve quem sabe

2012-12-04 às 06h00

Cristina Palhares

Hoje deixo-vos um excerto do Discurso proferido na Assembleia da República este ano, pela ANEIS, cumprindo com um dos grandes propósitos da sua atuação: a criação de legislação específica em Portugal para o atendimento de crianças/jovens com caraterísticas de sobredotação.

“Exmo Sr. Presidente da Comissão Parlamentar da Educa-ção, Ciência e Cultura, Exma. Sr.ª Deputada Coordenadora do Grupo de Trabalho de Educação Especial, a todos os presentes, o nosso muito obrigado pelo espaço que hoje partilhamos. Estamos hoje aqui com um pequeno/grande propósito: colocar a Educação Especial, porque diferente, num espetro colorido que abranja todas as cores.
Infelizmente, e volvidos tantos anos após a Europa se dedicar a esta reflexão com o pincel que iria pintar as sete cores, continuamos com falha de cores. Falamos da Declaração de Salamanca, que todos bem conhecemos, falamos na inclusão de crianças sobredotadas, que todos bem esquecemos.
A Declaração de Salamanca em 1994 reconhece a importância das escolas na inclusão de crianças sobredotadas e faz surgir uma Recomendação do Conselho da Europa que reflete a necessidade da criação de condições educativas apropriadas que permitam desenvolver plenamente as capacidades das crianças sobredotadas. Pena é que, volvidos mais de vinte anos o nosso país continue insistentemente a recusar reconhecer e identificar e a, prontamente, intervir. Toda a investigação a nível internacional refere uma percentagem de incidência que não nos permite sequer negligenciar: 3 a 10% da população escolar (consoante os critérios dos diferentes países) é sobredotada.
E se a estatística engana quando a reduzimos ao universo de uma escola, não o pode fazer quando a ampliamos ao universo nacional. Perseguindo este grande objetivo a ANEIS, no seu percurso de 13 anos, tem vindo a oferecer a toda a comunidade educativa vários serviços: avaliação especializada, implementação de programas de enriquecimento extraescolares e extra-curriculares de caráter semanal e anual, aconselhamento e consultoria, cursos de formação, palestras, organização de conferências e congressos, e a edição da revista científica “Sobredotação” privilegiando os vários estudos de investigação portugueses que vão sendo realizados. Infelizmente, em oposição a muitos outros países e nomeadamente aos europeus, a excelência foi e é o parente pobre do nosso sistema educativo. Continuamos a privilegiar o sucesso educativo como o garante da transição de ano letivo e não o pensamos como o garante do aluno, ou seja, em promover o sucesso de cada aluno esteja ele em que patamar estiver do seu processo de aprendizagem. Urge regular esta lacuna do sistema educativo, pensando nestes alunos como alunos com necessidades educativas específicas. Os nossos alunos que apresentam características de sobredotação são normalmente sujeitos da sua própria aprendizagem. Mas também temos muitas crianças e jovens sobredotados a quem o sistema educativo português marginaliza, desmotiva, empobrece, formata. Nesta época de retoma económica desperdiçar é palavra proibida. E o país não se pode dar ao luxo de desperdiçar os seus talentos. Exmo Sr. Presidente, caros deputados, cabe a vós e somente a vós fazer jus ao lugar que ocupais. Acreditamos que o fareis. O pincel não pode pintar apenas com três, quatro ou cinco cores. As sete cores terão que estar presentes. Todos, todos os alunos merecem fazer parte do arco-íris - o arco-íris da escola, o arco-íris da vida.”

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