Correio do Minho

Braga, sábado

Febre amarela à moda do Minho

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Ideias Políticas

2016-06-07 às 06h00

Pedro Sousa

No passado Sábado, ao fim da tarde, Braga viveu uma das mais épicas jornadas desportivas da sua história. O ABC disputava com o Benfica, num lotado e fervoroso Sá Leite, o quinto e decisivo jogo de Apuramento de Campeão da principal divisão do Andebol Nacional.
Foi um jogo de muitos nervos, onde o Benfica foi, durante largos períodos, a equipa mais esclarecida em campo, pelo que a vantagem de três golos, ao intervalo, a favor dos encarnados não causava grande surpresa.

Estávamos perante duas equipas que se conheciam muito bem, convém lembrar que entre o Campeonato e a Taça Challenge, vencida pelo ABC há pouco mais de uma semana, estas duas equipas disputaram entre si, nada mais, nada menos, do que nove jogos.
Havia, por isso, pouca margem para surpreender e, na segunda parte, o jogo seguiu numa toada de golo para um lado, golo para o outro, tendo o Benfica mantido, quase durante todo o tempo, uma vantagem de dois, três golos que lhe dava o conforto e a tranquilidade que ía faltando do lado do Académico.

A faltarem quatro minutos para o apito final, o Benfica alargava a vantagem e conseguia ficar com quatro golos à maior, colocando-se a escassos minutos do final a vencer por 23-27. Soaram os alarmes no Sá Leite, as vozes dos poucos adeptos encarnados faziam-se ouvir mais do que as das várias centenas de Academistas que lotavam o Pavilhão.
Aí, numa demonstração de força, querer, garra, ânimo e fortuna, não há campeões sem sorte, os homens do Académico minhoto agarraram-se ao jogo como quem se agarrou à própria vida, com uma força indómita, lutando por cada bola como se fosse a última, assumindo cada remate como o último das suas carreiras, pondo sangue, suor e lágrimas na disputa de cada lance.

Três golos de diferença, dois golos de diferença. Ainda havia esperança. O pavilhão foi atrás da força, da coragem e do querer dos seus ídolos e despertou, novamente, para o jogo. A certa altura, podia sentir-se que os atletas carregavam dentro de si a energia, a ambição e a esperança de cada uma das pessoas que estavam a assistir ao jogo e, quais Deuses do Olimpo, perceberam que não havia impossíveis.

27-28. Um golo de diferença. A loucura tomou conta da multidão. Lágrimas, suores frios, nervos à flor da pele e o sentimento de que o sonho estava ali tão perto, a apenas um golo de diferença.
Asneira do Benfica. Falta atacante. Bola para o ABC a escassos trinta segundos do fim. Nuno Grilo carrega a bola, avança em direcção à baliza e faz o 28-28. O sonho, tão difícil e improvável tinha acontecido mas ainda não podíamos festejar. Faltavam poucos segundos para terminar mas o Benfica tinha bola e tempo para um último ataque. O ataque, apesar do pouco tempo, foi bem trabalhado, a bola entrou no Pivot (não sei o nome e dele, felizmente, nunca rezará a história) que, aos seis metros tendo pela frente, “apenas”, o gigante Humberto Gomes, se atemorizou e atirou ao lado.

O Sá Leite irrompeu numa explosão de alegria como há muito não se via. Naquele momento soubemos que o ABC nunca deixaria de ser Campeão. O prolongamento veio, tão só, confirmar essa ideia.
O ABC venceu por 32-30 e fechou com chave de ouro uma das mais brilhantes épocas da sua história, recuperando o título nacional que lhe fugia desde a época 2006/2007, vencendo a Taça Challenge e, também, a Supertaça.

Tais feitos, merecem uma palavra de enorme apreço, elogio e reconhecimento à Direcção superiormente liderada por João Luís Nogueira que, sem entrar em loucuras, lutando de forma desigual contra os astronómicos orçamentos dos três grandes, apostando, em exclusivo, em jogadores portugueses (pasmem-se, o ABC não tem um único estrangeiro no plantel), valorizando a formação, a prata da casa e a verdadeira escola de campeões que é o ABC, conseguiu aquilo que muitos julgavam impossível.

Foi incrível ver o Miguel Sarmento, o Humberto (e muitos outros) celebrar o título. Foi uma epopeia, um prazer incomensurável, o sentir que ainda há amor à camisola, beleza poética tão em desuso nos dias que correm.

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