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Feedback, feedback ou retorno?

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Feedback, feedback ou retorno?

Escreve quem sabe

2021-06-06 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Nunca se ouviu falar tanto de feedback como hoje. É preciso dar feedback aos alunos, aos trabalhadores, aos clientes, à tutela, aos organismos públicos. Afinal o que é o feedback?
Se consultarmos o dicionário digital Priberam ficamos a saber que é uma palavra inglesa (feedback |fidebéque|) e como tal deve ser escrita em itálico ou, no caso de manuscrita, entre aspas. É um nome masculino que significa 1. Retroação das correções e regulações de um sistema de informações sobre o centro de comando do sistema; ação exercida sobre as causas de um fenómeno pelo próprio fenómeno. 2. Reação a alguma coisa. = RESPOSTA, RETORNO. Esta palavra também se pode escrever com hífen: feed-back.
Quem usa alega que é difícil substituir pelo português “retorno”. Costumo usar o argumento de Manuel Monteiro, no seu Dicionário de erros frequentes da língua: “A estranheza do leitor ante o termo (retorno), a ideia que possa ter de que se não aplica a feedback advém do hábito, não da razão. Se usássemos retorno em vez de feedback, a estranheza dirigir-se-ia para a palavra estrangeira” (63: 2015). Como, aliás, para todas as outras palavras estrangeiras que juramos a pés juntos que não conseguimos substituir por palavras portuguesas.
De facto, a palavra feedback está de tal modo disseminada que obliteramos do nosso léxico pessoal palavras como - comentário, opinião, apreciação, crítica, sugestão. Tudo é feedback. A Câmara Municipal de Albufeira tem um “formulário de feedback” (em https://bit.ly/ 3pnRVXo, acedido em junho de 2021); uma publicação propõe “10 dicas para uma melhor cultura de feedback” (em https:// bit.ly/3cfjQ6i, acedido em junho de 2021); Um livro de economia, intitulado, naturalmente, Feedback Eficaz refere que “Para que a sua equipa atinja os objetivos estabelecidos e alcance o seu potencial, tem de lhe dar feedback regularmente.” Nas escolas, não só temos de dar feedback aos alunos, como não podemos esquecer de lhes fornecer também feed up e feed forward.
Ressalvo o facto de que, em todas as publicações acima referidas, a palavra feedback não está escrita em itálico. O termo inglês, como muitos outros, está a cimentar o seu uso e, consequentemente, a levar ao desaparecimento de vocábulo portu- gueses.
Pensem comigo. Quantas vezes dizemos hall de entrada e não átrio? Os flyers vieram substituir os folhetos, os panfletos e as brochuras? Os trabalhadores independentes foram substituídos pelos freelancers? Que trabalham em full-time ou part-time? Convém que estes profissionais tenham Know-how, pois perícia e conhecimento especializado estão fora de moda.
Na realidade, os empresários portugueses já não são empresários, são founders e CEO que gerem uma business team, que por sua vez gere várias outras teams: sales, marketing, quality e os seus respetivos managers. A brand da sua corporation é tão importante como o budget. Fazem muitas meetings e enviam muitos e-mails, entre os coffee breaks. Depois há as business parties e as summit. Lançam startups, franchisings e hubs. Há business coachs, shares, rating, traders, balance sheets. Disto tudo é preciso dar muito feedback.
Too many palavras estrangeiras!

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