Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães

Covid-19 – o que faz a Comissão Europeia por nós?

Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães

Escreve quem sabe

2020-02-27 às 06h00

Elisa Lessa Elisa Lessa

São bem conhecidas as expressões do povo sobre os sinos de Tibães. Faz isso que depois ouves os sinos de Tibães - dizem os Vimaranenses! Olha que te faço ouvir os sinos de Tibães - dizem os Bracarenses! Levou uma tareia que até ouviu o sino de Tibães! Deixa que vais ouvir o sino de Tibães! São alguns dos ditos populares que tiveram a sua origem no facto de ter havido no mosteiro uma prisão conventual, chamada Casa do Tronco, onde os desobedientes (do mosteiro e do Couto de Tibães) eram acorrentados aos troncos pelos pés, ouvindo-se o toque dos sinos sempre que se iniciava e terminava um castigo.

Os sons que emanam dos sinos de Tibães continuam a ouvir-se hoje, mas felizmente, apenas os associamos aos serviços religiosos da igreja paroquial e a momentos particularmente festivos da freguesia!
Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães, nasceu no dia 25 de Abril de 1936 no Lugar da Boavista. Com quase 84 anos de vida contados, sobe mais de 70 degraus para exercer a sua arte. É o responsável pelo bamboar e pelo repicar dos sinos do Mosteiro de Tibães, teimando em manter viva esta tradição. Cumpriu o serviço militar em Lisboa, chegando a tocar o sino na Igreja da Memória em Belém, na freguesia da Ajuda. Regressando a Tibães, com vinte e poucos anos, Fernando Silva tocava os sinos aos domingos e sempre que havia um funeral. Em 1963, emigrou para França, voltando ao seu país com 76 anos de idade.

As torres sineiras do antigo mosteiro de Tibães contaram ao longo dos tempos com vários sineiros. Fernando Silva informa que José Araújo foi sineiro no tempo da Guerra de 1914, seguindo-se António Gonçalves, seu bisavó paterno e mais tarde José Gomes, sacristão da igreja, falecido em 1979, altura em que Fernando Silva passa a ser o responsável pelo toque dos sinos.
José Araújo tocava o sino com uma técnica diferente, diz-nos Fernando Silva, porém o seu mestre foi José Gomes, com quem aprendeu que nas procissões o toque é mais lento, na Missa Maior, no princípio são 3 badaladas e depois com o pé ouvem-se soar todos os sinos da torre e nos funerais, o sino é sempre dobrado.

À entrada do coro alto da igreja, foi instalado um cabo de aço ligado ao sino maior evitando a subida à torre, mas na verdade o que Fernando Silva mais gosta de fazer, é lá do alto accionar a teia de cordas com o pé e com as mãos e fazer ecoar os quatros sinos que chegaram até aos nossos dias: os dois sinos fundidos por Manuel Ferreira Gomes em 1673 e 1679, o sino fundido por José Rodrigues em 1750 e um sino da fundição de José Gonçalves Coutinho anterior a 1932.
Na nossa memória ficou gravada a expressão de felicidade deste tocador de sinos, que parecia não querer parar de tocar, afirmando, quando se toca manualmente há emoção, há expressão e sentimentos!
Muito obrigada, Senhor Fernando Silva, por nos continuar a emocionar com a sua Arte!

(.) Este texto nasceu de uma conversa informal, primeiro no cimo da torre do Mosteiro de Tibães e depois no Coro Alto da Igreja, em Dezembro de 2019. Ana Amorim captou as imagens que testemunham a arte de Fernando Silva.
(.) A exposição O Património Musical do Mosteiro de Tibães. (Projecto o Património Musical do Concelho de Braga) poderá ser vista até ao dia 1 de Março, na Sala do Recibo do mosteiro.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho