Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Festas, festinhas e funcionários

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Ideias

2018-01-23 às 06h00

João Marques João Marques

Não podia deixar de começar esta crónica por salientar o ambiente que se respira no concelho a propósito da Braga Cidade Europeia do Desporto 2018 (CED 2018). Bem sei que há quem se concentre na crítica aos aspetos estéticos e práticos mais negativos da proliferação de tendas e espaços promocionais. E sei igualmente o quão indigno é menorizar essas preocupações e os cidadãos que justamente as tornam públicas e notórias. Penso, contudo, que o que já pudemos provar desta iniciativa, que preencherá o calendário anual da cidade com inúmeras iniciativas desportivas do maior relevo, serve para superar largamente qualquer pormenor menos bem conseguido.

Com efeito, este ano parece ser o primeiro em que a Taça da Liga assume a sua vocação popular e desperta nos amantes do futebol, onde me incluo, a vontade de fazer parte da história do troféu mais recente da modalidade. Seguramente que não teremos a adesão massiva que tem uma Taça de Portugal, mas o caminho faz-se caminhando e a opção por polarizar num concelho a última fase da competição parece-me muito feliz e bem-vinda. Se Braga fizer o que costuma fazer, que é bem receber e fomentar o fair-play, então não haverá dúvidas que o modelo que agora se estreia será um sucesso a repetir. Pena é que, em casa, o S.C. Braga não possa estar na disputa pela sua segunda Taça da Liga.

Para lá do futebol, a cerimónia de abertura da CED 2018 foi um hino ao ecletismo desportivo, à qualidade artística e um excelente cartão-de-visita para o que aí vem. O Theatro Circo engalanou-se para mostrar ao país e ao mundo que Braga não se vai limitar a um papel passivo de organizadora de eventos. Pelo contrário, mostrou que teve, tem e terá dos melhores executantes nas mais variadas modalidades e que está pronta para continuar a ser uma contribuinte líquida de atletas e coletividades de referência no panorama desportivo internacional. Longa vida, pois, à CED 2018.

O outro tema que queria também salientar é bem menos glamoroso, mas não menos importante. Temos, nas fileiras da autarquia, funcionários de grande competência, que se entregam diariamente ao serviço público, garantindo que as mais básicas funções de gestão do concelho e da nossa vida em comum são executadas com qualidade. Devemos-lhes, por isso, uma palavra de gratidão, mas sobretudo uma exigência de ação por parte de quem administra o município. Não ponho ninguém num pedestal, nem desclassifico aqueles que não trabalham na esfera municipal, mas julgo que é de elementar justiça garantir aos trabalhadores do universo da Câmara Municipal um contexto profissional condigno.

Ao contrário do que diz uma certa opinião publicada, o dossier da valorização do trabalho e da aposta na melhoria das condições de vida dos trabalhadores não é um exclusivo de uma franja partidária, nem tampouco causa qualquer engulho às ideologias que não se identificam com ideais mais ou menos marxistas. Capital é, antes, reconhecer na sociedade em construção, composta por todos, trabalhadores e empresários, patrões e funcionários, o espaço de realização pessoal e familiar mais capaz e harmonioso que o Homem foi capaz de gerar e não inventar distopias paralisantes em que uns e outros, permanentemente em guerra, jamais serão capazes de se tolerar pacificamente.

Com base nestes pressupostos vejo, com cada vez maior satisfação, que o atual executivo não claudica quanto à aposta nos seus recursos humanos e nas condições de trabalho que lhes são oferecidas. Foi já assim quando se procedeu à reorganização dos serviços e do interface de ligação entre a Câmara Municipal e os cidadãos, operado pela inovação do Balcão Único. Foi assim, também, com os bombeiros sapadores, na consensualização, com os representantes sindicais daqueles, de quatro turnos de trabalho, ao mesmo tempo que se procedia a um reequipamento muito significativo dos meios à disposição da companhia. E é assim, ainda, com a intervenção profunda que tem vindo a decorrer nos estaleiros municipais.

Se já no anterior mandato se havia procedido a reparações e intervenções com algum relevo, foram agora investidos cerca de 50 mil euros para requalificar os espaços de trabalho, dotando-os de novas valências como a oficina de mobiliário urbano e parques infantis, ou a criação de um espaço social devidamente equipado para fornecimento de refeições, sem esquecer a muito importante intervenção de remodelação dos balneários, que se encontra em curso. A muito breve trecho, todas as intervenções previstas para aquele espaço estarão concluídas e permitirão aos trabalhadores da autarquia sentir um salto qualitativo muito significativo nas suas condições de trabalho.
Tudo somado, temos, de novo, concretizada a crítica da oposição política bracarense. São mais festas e festinhas com que Ricardo Rio e a sua equipa acarinham os bracarenses e que seguramente lhes servem não para emoldurar troféus eleitorais, mas para consolidar, de forma cada vez mais cúmplice, a ligação entre eleitores e eleitos, ou não fosse esta mais uma promessa eleitoral cumprida.

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