Correio do Minho

Braga,

Festejos em Braga pelo fim da primeira Guerra Mundial

Amigos não são amiguinhos

Ideias

2018-11-11 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes

A Primeira Guerra Mundial, que teve o seu início a 28 de julho de 1914, terminou faz hoje, rigorosamente, 100 anos!
O “Armistício de Compiègne”, como ficou conhecido, foi assinado no dia 11 de novembro de 1918, na floresta de Compiègne (França) num vagão-restaurante, entre o marechal Ferdinand Foch, comandante das forças da Tríplice Entente, e o comandante Matthias Erzberger, representante da Alemanha. A assinatura ocorreu no dia 11 de novembro, às 5 horas, mas só entrou em vigor às 11 horas dessa manhã (11.ª hora do 11.º dia do 11.º mês).
Durante esses longos 52 meses, a Primeira Guerra Mundial provocou nove milhões de mortos e cerca de 30 milhões de feridos!
Portugal, muito preocupado com a afirmação de um novo regime (a República), viu agravadas as dificuldades económicas e sociais, pois foram mobilizados para França 55.000 homens; para África 50.000 e para as ilhas e colónias africanas 12.000! Em França, entre mortos e feridos, perdemos 14.623 homens e, em África, cerca de 21.000! Para a Europa foram enviados 117 comboios, 1.501 viaturas, 312 camiões e ainda milhares de toneladas de matérias-primas e alimentos, que fariam muita falta ao carenciado povo português!
Os soldados da nossa região, na sua grande maioria analfabetos e famintos, encaravam a participação na Primeira Guerra Mundial como se de uma romaria se tratasse, embarcando da estação dos caminhos-de-ferro de Braga e dos portos do Porto e de Lisboa com uma simples mochila às costas! Esta realidade foi claramente prevista no Parlamento, pelo então Ministro da Guerra, quando afirmou, a 28 de junho de 1914, que Portugal, a nível militar, “Não digo que tem pouco, digo que não tem nada”!
Apesar de todas as dificuldades que passaram nos palcos da guerra, muitos soldados portugueses preferiram ficar na França (e noutros países), após o final do conflito, acabando alguns deles por irem parar aos campos de concentração nazis, vinte anos depois, já no decorrer na Segunda Guerra Mundial!
A destruição provocada pela Primeira Guerra Mundial impressionava de tal forma o mundo e o nosso país que todos ansiavam pelo final do conflito. Assim, à medida que as notícias, que davam conta da iminente rendição dos alemães chegavam ao nosso país, de imediato as manifestações de regozijo começavam. Três dias antes da assinatura do Armistício, a 8 de novembro de 1918, milhares de pessoas percorreram as principais ruas de Braga, acompanhadas pelas bandas de música de Infantaria 8 e de Celeirós.
Contudo, quando a assinatura de paz ocorreu, as manifestações em Braga atingiram o seu auge. Para o “Echos do Minho”, 12 de novembro de 1918, o fim da Primeira Guerra provocou grande alegria em Braga “porque terminaram as hostilidades, cessou o fogo, calou-se o canhão, e nós, portuguezes, veremos poupada a nossa gente, que ainda teria de ir para a guerra, e o nosso dinheiro, que mais depauperado ainda tornaria o paiz”.
O cortejo que se realizou na noite de 11 de novembro de 1918, promovido pela Comissão Distrital do Partido Nacional Republicano, atingiu momentos de grande alegria, com as casas e as ruas iluminadas e nele tendo participado milhares de bracarenses.
O comércio fechou às 16h00 e os sinos das igrejas de Braga tocaram incessantemente, criando um ambiente de grande entusiasmo e alegria nas pessoas: “O toque dos sinos deu na cidade o efeito de «Alleluia» lendo-se em todos os rostos vivos signaes de bem estar” (id).
Enquanto no monte do Picoto eram acesas várias fogueiras, em sinal de júbilo e exaltação, a Avenida Central ficou repleta de pessoas, que eram festivamente acompanhadas pela banda regimental do Quartel de Infantaria 8, que tocou continuamente o Hino Nacional e ainda o hino da Maria da Fonte, tão caraterístico do Minho!
Até o Governador Civil de Braga, Féria Teotónio, ofereceu bolos e champanhe a quem o foi cumprimentar, tudo em homenagem à vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial.
O Theatro Circo assistiu a uma grande gala, em homenagem à vitória dos Aliados, tendo nela participado as principais figuras da região nas áreas económica, política e militar.
Em todas as igrejas da nossa região realizaram-se cerimónias religiosas em homenagem à paz e o Arcebispo de Braga promoveu um grande hino de ação de graças, que se realizou na Sé Primaz, no dia 24 de novembro de 1918.
Até festas do 1.º de dezembro de 1918, tão caraterísticas em Braga, foram dedicadas à vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial.
Também na própria Alemanha muitos foram os que festejaram a derrota do seu país. Em Colónia, no dia da assinatura do Armistício, muitos alemães quiserem destruir a tiros de metralhadora a estátua de Guilherme II, então imperador alemão, mas abandonaram essa ideia, optando por colocar-lhe na cabeça um chapéu alto e um guarda-chuva na mão, tendo na base da estátua escrito “Boa viagem”. A viagem foi o exílio para a Holanda…



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