Correio do Minho

Braga,

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Fica a velho que falha o novo

Derrota à francesa

Fica a velho que falha o novo

Escreve quem sabe

2024-01-07 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Gostava de encontrar um português entusiasmado com Montenegro. Genuinamente entusiasmado. Rendido, mesmo. Que nele visse, por conseguinte, um arauto, um tribuno, um guia, um líder que federasse vontades, que potenciasse esperanças, fantasias até, porque não sobrevivamos como pessoa e como povo sem que olhos se ponham em corte novo para fatiota lustrosa de ver a deus. Deparo-me, porém, com esta sensação perniciosa de o ter como servente de agência de trabalho temporário, como um interino à semana, que acaba custando mais do que rende, porque só a ferros dele se extraia tijolo junto e parede aprumada.

Seremos nós maus mestres? Ou a obra também será para acabar e entregar, e não se fala mais nisso, porque nenhuma garantia tenha sido exigida, e em atenção prestada? De dois empreiteiros julgávamos ter perdido o traço – o CDS e o PPM. Enfim, teriam ficado de alvará em gaveta, com a ilusão de bons ventos por diante, de um golpe de sorte, de um messias ou sebastião que trouxesse alegria e pão a estaleiro ferruginoso: e quem o recrimina? Velhas glórias lhes doirariam os derradeiros dias, talvez passassem ao Além com beatifico sorriso na face. Mas não, que eis senão quando um associado de espírito enevoado os chama, não a obra, mas a concurso, cuidando de carta velha ludibriar cliente novo, cuidando que o passado lhes assente de cabeça a pés como assentou nas figuras a que se colam.

Cantorias de “ó tempo volta para trás” que se ouvem com gosto em festa temática, por recreio, por revivalismo, porque em nós haja bem essa dimensão de encenação e de continuo antropológico. Mas é um dia em 364, mas é por um sábado à tarde que se esgota em si, porque o calendário imponha outra celebração na semana seguinte, isto se os factos públicos não provocarem uma manifestação pela paz e pela concórdia, entre povos ou entre géneros.
Frenesins de subdotados, de comentadores que, no que é bom, não vão além de jogos de solteiros contra casados, de um futebolzinho de salão de terça às oito, com janta às nove na tasquinha do coração. Por contraste, como não ver o que laranjinhas e rosinhas descontaram num liderzeco com as suas manias, nomeadamente a de não fazer oposição estrídula e a de almejar pôr tento no Ministério Público. Teria Rio pauta, mas falhou-lhe a mão para escrever, e com esta sina vivemos, que nem nos partidos aprendem uns dos outros, que nem nós ganhamos alento para exigir – deles, se for o caso, mas de nós, enquanto colectivo, porque uma solução resta a quem não se reconhece naqueles que supostamente indicam caminho, que é, tão simplesmente, a de dar um passo em frente, portando-se como guia.

Antes um vesgo, que um olho de falcão que se troque todo na hora de escolher alvo. Que fez o PS de uma maioria absoluta? De várias, até! Que nos provam desde Sócrates, senão que se soldam com silêncios de carreiristas, porque só calados lhes chega a vez? Que atestam os despachos de ânimo leve do Pedro-tap, senão que Portugal seja uma coisa que se trata às três pancadas e em cima do joelho? Em defesa de bens próprios, algum empresário agiria assim?
Emparedamo-nos ou, em alternativa, vamos de carro a quantas dá, mas contra um muro, carregando na buzina. E, pela parte de Montenegro e apaniguados, se nenhuma contrain- dicação obstaria a coligação à imagem de precedentes, sentido ela faria se correspondesse a um pensamento articulado, não um recurso de desesperados.
Em suma, boa sorte para todos – para eles, sobretudo para nós. Oxalá venhamos constatar que se escreveu direito por linhas tortas, que é um dito que temos sempre nos lábios, embora falte a apronto de parada.

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