Correio do Minho

Braga,

Filho (não) preferido

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2012-05-06 às 06h00

Joana Silva

Constituir família faz parte da sua história de vida de muitas pessoas, que resulta em encontrar um companheiro , ter filhos …
Actualmente, cada vez mais, as famílias optam em ter um ou dois filhos. No caso do casal que tenha dois filhos, será que a atenção dada a cada um, é igual ou distinta? Mais concretamente, será que há uma maior tendência para a preferência de um filho face ao outro pelos pais?! É comum os casais afirmarem, “eu gosto dos meus filhos de igual maneira, tenho- os ambos no coração”. Os pais tem de facto os dois filhos no coração mas a a expressividade do afecto e o tratar talvez sejam diferenciados. Vejamos, segundo recentes investigações, nomeadamente pela psicóloga americana Ellen Libby, indicam que num casal com filhos, há sempre um preferido. Estas investigações assentam no pressuposto de que esta preferência se deve ao facto de existirem maiores afinidades no gosto e interesses entre o filho preferido e os pais ,como por exemplo, nas actividades de lazer. Não só mas também, pode dever-se ao facto de os pais sentirem que o filho preferido, é mais frágil e inseguro a nível emocional ou fisicamente e como tal necessita mais de apoio por parte das figuras parentais pai e mãe. Obviamente, o filho preferido, sentir-se-á protegido, compreendido, mimado e com maior auto-estima. Mas quais as consequências futuras desta preferência, será este jovem independente ? Os estudos indicam que estes jovens “super protegidos” pelos pais quando confrontados com os “percalços da vida” tem maior tendência para não resistirem à frustração, logo, tem mais predisposição para desenvolver sentimentos negativos face à vida ocasionando até mesmo depressão. Isto porque, ao crescerem num ambiente familiar de protecção elevada não adquiriram formas de resistência às dificuldades da vida, gerando insegurança. Assim pode dizer-se que, protecção não é sinonimo de felicidade na idade adulta. Em contrapartida, e dando continuidade a esses mesmos estudos, o outro irmão que é tido como “rebelde”, de personalidade forte, tem mais capacidades de singrar na vida adulta, torna-se mais independente, mais audacioso, pois adquiriu mecanismos/estratégias de sobrevivência. É comum o filho “não preferido” sentir-se “ à margem”, não amado , aquele que “cria problemas aos pais” .Alguns pais chegam mesmo a questionar “onde falhei enquanto pai ou mãe”. Mas o filho não preferido, que tudo vê e sente, questiona-se também “porquê que o meu irmão corresponde às espectativas dos pais e eu não”! E em fase adulta, são frequentemente bem sucedidos a outros níveis como o profissional, mas o tratamento diferenciado na infância deixa sempre marcas profundas na personalidade muitas vezes, nunca esquecidas. Quando em fase adulta e na etapa de construção familiar, o não preferido tem normalmente mais cuidado no tratamento dos filhos, isto porque, outrora já esteve naquela situação e conhece bem e “de perto” o sofrimento de não corresponder aos pais. Os pais nem sempre aceitam como verdade a preferência por um dos filhos e gerir esta confrontação nem sempre é fácil. As afinidades entre pais e filhos talvez não se possam discutidas mas a importância de ambos os filhos sentirem que são amados e correspondidos fará toda a diferença a nível emocional numa posterior fase adulta.

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