Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Final for Braga

Geraldo Henriques

Final for Braga

Ideias

2020-01-21 às 06h00

João Marques João Marques

É a última edição que por cá se realiza e já deixa saudades. Já parece um hábito, mas é bom não esquecer que ainda há pouco tempo se tratava de uma exceção. A organização de grandes eventos como a final da Taça da Liga simboliza a ascensão do concelho a um patamar de excelência reservado a um conjunto restrito de cidades em Portugal.
Ao longo dos últimos anos, Braga foi a capital do futebol, atraindo milhares de adeptos a uma competição que, no seu início, pouca atenção mediática merecia, sendo, até, alvo de comentários menos abonatórios por parte de alguns dos grandes clubes do panorama nacional.

Com o novo modelo e com a aposta na maior cidade minhota para albergar a final a quatro que agora determina o vencedor, a Taça da Liga ganhou atratividade, mobilizou os adeptos e criou um produto de sucesso que estará a ser cobiçado por cinco municípios. É verdade, este é o último ano em Braga e só podemos esperar que a progressão gigantesca a que se assistiu durante o triénio em que por cá passou não se perca no futuro.
Este “caso de estudo” como foi apelidado por Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, deve muito ao nosso concelho. Não é presunção e, ainda que fosse, tal como sucede com a água benta, “cada um toma a que quer”. De facto, se olharmos para o empenho com que Braga e a sua autarquia acolheram este novo modelo, rapidamente perceberemos a dificuldade que o próximo município terá em emular o exemplo que aqui foi moldado. Não é só a disponibilização de espaços públicos ou a simpatia com que as gentes receberam quem nos visitou. Do que se trata é de uma crescente relação de proximidade entre a população e a competição.

Se no início se estranhava o aparato e a profusão de equipamentos ligados à promoção do evento, hoje há uma notória curiosidade sobre quais os espetáculos que a “caravana” da Taça da Liga trará à cidade. A chegada das televisões, das equipas, dos staffs técnicos e dirigentes, dos adeptos e de toda a máquina que alimenta esta final, para lá da animação natural que todos conhecem, reflete-se nos números que todos os anos têm engrossado as receitas do setor do turismo e reflexamente toda a atividade económica do concelho.
Competições como estas, apesar de pontuais transtornos que possam causar no quotidiano dos bracarenses devem ser acarinhadas e desejadas pela cidade. São elas que geram a exposição mediática positiva de que tanto precisamos e é com elas que testamos a capacidade de Braga ser palco e sede de futuros grandes eventos.
A tacanhez que durante décadas nos retirou o brilho e nos afastou da poule de locais onde potencialmente se poderiam realizar concertos, exposições, congressos e finais de nível internacional parece definitivamente afastada, mas tal não caiu do céu.

A política do município, sob a presidência de Ricardo Rio, sempre teve como objetivo potenciar a marca “Braga” e mostrar ao país e ao mundo que tem aqui matéria prima mais do que suficiente para organizar, com brio e qualidade, qualquer iniciativa relevante de índole cultural, desportiva, académica ou outra.
As dificuldades de conjugar o melhor da sociedade civil e das instituições públicas e privadas sediadas no concelho têm sido consecutivamente superadas e é notória a convergência de perspetivas e esforços para concretizar os desafios de modernização e abertura da cidade ao mundo.

É certo que muito faltará para que nos possamos assumir como o destino natural de qualquer grande evento internacional que passe pelo nosso país, mas acredito que esse muito que falta é significativamente menor do que o que já conseguimos avançar. E se em menos de uma década foi possível trilhar um caminho que nos possibilitou capacitar o concelho com infraestruturas de qualidade, como o Altice Forum, aumentar a ocupação hoteleira para níveis nunca antes imaginados e sonhar (com os pés no chão) com a organização de uma Capital Europeia da Cultura, certamente não demoraremos uma eternidade a conseguir esse objetivo de afirmação nacional e internacional da cidade.
Termino com um desejo previsível, mas sincero. Agora que nos despedimos de uma competição cuja grandeza muito fica a dever ao contributo dos bracarenses, nada melhor do que ver o Sporting Clube de Braga a vencê-la. Seria o corolário perfeito para o epílogo da Taça da Liga na nossa cidade.

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