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Finlândia, minha maestrina!

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Finlândia, minha maestrina!

Voz aos Escritores

2024-04-12 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Não temos de ser génios para fazermos bem ou para fazermos melhor. Basta sermos humildes e estar dispostos a aprender com quem assim o faz. E não alimentar preconceitos, nem ódios ou pódios de estimação, ideológicos ou não, com os quais não ganha ninguém.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) compara o desempenho educacional de países e regiões de todo o mundo desde 2000 e, desde aí, a Finlândia tem sido consistente na sua classificação entre os melhores resultados, pelo que não será falso dizer que terá dos melhores sistemas de ensino. Não será perfeito mas, dentro do que existe e é avaliado, terá certamente muito para nos dar como exemplo e referência.
Mas nada se faz do dia para a noite. O seu sucesso é antes de mais o resultado de um século de medidas e investimentos, como a escolarização obrigatória em todo o território desde 1921. Em Portugal, o ensino primário tornou-se obrigatório para ambos os sexos em 1960. Temos muito tempo para recuperar e o futuro é já aqui. A partir de 1948 as refeições escolares passaram a ser gratuitas na Finlândia para combater a pobreza depois da Primeira Guerra e, atualmente, tanto as escolas públicas como as privadas são gratuitas. E por cá?
Lá o ensino obrigatório vai dos 7 aos 15 anos. Cá termina no 12º ano, ou seja, aos 18 anos.

Para garantir que seja o mais igualitária possível, a educação tem de ser de qualidade, tem de ser exigente, tem de ter rigor e tem de ser inclusiva, com acompanhamento adequado e individualizado. Para isso, a formação dos professores tem de corresponder a estes níveis e é fundamental para o sucesso dos alunos e deste sistema. Sem facilitismos ou portas travessas. E menos ainda os três semestres que dão agora habilitação suficiente para se ser professor, seja em que área for. Os professores, como tal, são valorizados e respeitados pela sociedade.
Não é só a este nível que a Finlândia é conhecida internacionalmente. O seu nível baixo de corrupção, tanto no que à opinião pública diz respeito como de acordo com índices e padrões globais, colocou o país com 87 pontos, numa escala de 0 a 100, sendo 100 considerado muito limpo. Situa-se no segundo lugar na classificação do Índice de Percepção de Corrupção de 2023 entre 180 países. Portugal ocupou a 31ª posição com 61 pontos.
Além disto, e de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade de 2024, a Finlândia ocupa o 1º lugar. Portugal o 24º. Podia ser pior, mas convenhamos que ao comparar meteorologias levamos já um bom avanço dado pela mãe natureza.

Por isso só nos falta o resto. E não, não estou a fazer a apologia à emigração. Pelo contrário. Tornar o país melhor, mais atractivo a todos os níveis, principalmente aqueles que nos faltam, ajudará certamente a manter por cá os jovens que formamos com tanto investimento para usufruto alheio.
É que nada me tira da cabeça que estas três coisas estão ligadas entre si, como uma corrente com elos em cadeia: uma boa educação leva a baixos níveis de corrupção, que por sua vez elevam os índices de felicidade e bem-estar.
Não precisamos de ser génios para iluminar. Apenas de olhar para o lado e, com humildade, aprender.

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